Tempo de Silêncio

Fala-se tanto que precisamos cultivar o silêncio, regá-lo todos os dias como uma plantinha nova até ele se firmar e fazer parte da nossa rotina, até nos fazer falta. O silêncio acalma, o silêncio evita brigas, o silêncio traz respostas, o silêncio é o remédio mais barato que existe e, por isso mesmo, desprezado.

Quando se tenta iniciar essa prática, a gente descobre que existem dois tipos de silêncio (ou de barulho): o externo e o interno. Os ruídos da cidade, telefones, crianças e outros estímulos externos fazem parte de um bloco grande que podemos desligar, abrandar, diminuir o volume, ainda que sem apagá-los por completo. No início da prática, eles incomodam muito, como se estivessem o tempo todo nos cutucando para parar logo com isso e fazer alguma coisa, qualquer coisa, que não seja essa brincadeira de estátua da meditação.

Os corajosos obstinados que mantêm a disciplina e continuam na prática, nem que seja por poucos minutos, percebem que o barulho da coisas e das pessoas é o que menos incomoda. O que pega mesmo é o nosso próprio ruído interno, a nossa mente pensante viciada incapaz de descansar por um minuto sequer. E essa “mente” que parece uma entidade com vida própria não tem botão de liga/desliga. Você lá no fundo deseja que o telefone toque ou alguém o chame – pode ser algo urgente, afinal – então você teria uma boa desculpa para levantar e pronto. Que alívio.

Esse silêncio em que ficamos a sós com a gente mesmo é fundamental para a saúde da mente e do corpo. E mesmo com todos os benefícios da meditação divulgados por vários mestres, terapeutas e praticantes, a maioria das pessoas resiste. É preferível entregar-se a fórmulas prontas fáceis que não exigem mudanças internas ou auto-disciplina, e continuar colocando a culpa dos nossos dilemas e dores na falta de tempo, no trabalho ou na família…

Por que é tão desconfortável estar na própria companhia? Sem qualquer atividade, em casa, na paz, sem pressão, sem TV nem música, sem digitar no celular, comprar, comer…. Fazer nada. Palavra que assusta essa: nada. A gente mesmo não se aguenta, mas os outros tem obrigação de nos aguentar.

Vivemos num mundo de conexões instantâneas e rápidas (para quem tem 4G) com qualquer parte do mundo e bem desconectados da nossa própria essência, de quem somos de verdade. Ninguém vai nos dar essa resposta. A busca é de cada um. Única.

(Para uma lista detalhada dos benefícios da meditação, recomendo o site Arte de Viver: https://www.artofliving.org/br-pt/beneficios-da-meditacao).

Esclarecimentos

Nesse blog, a exposição de meus sentimentos e pensamentos em relação à vida tem como base a minha própria com todas as experiências que passei, as que me arrependo de não ter passado, os estudos, as leituras que me impactaram, os cursos de várias naturezas – técnicos e exotéricos, muitos problemas e desafios e, sobretudo, a inspiração que me invade de vez em quando: acordada ou dormindo, sem respeitar meu sono, em atendimento (reiki) ou momentos de quietude.

O que quero salientar é que não tenho a pretensão de apresentar verdades. Nem relativas nem absolutas. A verdade maior é a própria Vida que pulsa em cada pessoa, em cada flor, em cada cristal, em cada qual à sua maneira. Cada um tem a sua, embora ela seja uma só.

Qual é seu mantra?

Todos temos um mantra pessoal, mesmo que não saibamos disso. É a coisa mais normal do mundo, tão normal que a gente nem se dá conta. Qual é o seu?  Caso não saiba, seus amigos e familiares provavelmente sabem seu mantra melhor que você. E sem que perceba, ele “comanda” a sua vida de várias formas. Não me refiro a mantras budistas ou indianos como Om Shanti, Om Mani Padme Hung etc.

Vou dar um exemplo: houve um tempo (um pouco tenso) em que meu mantra era: “Eu tenho medo de… “ Medo de pegar trânsito e me atrasar, desse projeto não dar certo, das pessoas não gostarem do jantar, de sair com a bebê e ter de dar de mamar em público, de ficar doente no meio da viagem longe de casa, de deixar as crianças aos cuidados de outra pessoa e elas não ficarem tão bem… Era uma trava que amarrava meu pé na ansiedade (que nada mais é que um termo moderno para o velho amigo medo) e me impedia de fazer/viver várias coisas.

Há uns anos, meu mantra evoluiu para: “Não dá tempo…” Não dá tempo de quê? De fazer os cursos que desejo, de ler os livros que me interessam, de ir ao cinema, de estar com as amigas mais vezes, de tirar o dia para não fazer nada, de sair para jantar a dois… Simplesmente não dava tempo mesmo! Surpresa: eu lancei uma profecia auto-realizada. Olhem como sou poderosa. Eu repetia isso em várias ocasiões, para várias pessoas, muitas e muitas vezes de forma que até eu acreditava. Certamente que esse mantra me poupava de ter tempo para pessoas e eventos indesejáveis, eu me escondia atrás dele convenientemente. Mas como funciona, funciona igualmente para as coisas boas, que escapavam de mim pelos ponteiros do relógio. Quando percebi o quanto era eu mesma que ficava neurotizando pequenos e grandes problemas e atraindo-os para mim, foi como um estalo! Não só parei de usar essa frase (a não ser que fosse imprescindível) como mudei a estória para: “Eu tenho tempo para tudo que é importante para mim.”

E, na realidade, acho mesmo que quando se tem interesse de verdade em um assunto, a gente sempre arruma o tempo necessário para fazer acontecer. É tempo de fazer acontecer. O tempo do relógio está bem mais acelerado. Tudo vibra mais rápido e mais brilhantemente. Vamos aproveitar essa onda massiva de energia e criar o melhor mundo possível para nós.

Escrever, por quê?

Bem-vindo(a) ao meu blog!

Resolvi criar um blog porque amo escrever. Escrevo desde pequena, o que uma atividade só minha. O caderno – como na canção do Chico – foi meu melhor amigo por muito tempo. Preenchi vários cadernos, os primeiros com capas de menininhas e flores, depois o Snoopy entrou para a coleção e, quando cresci um pouco, passei para temas urbanos.

Meus primeiros diários eram de sonhos. Eu tinha muitos sonhos muito reais e repetitivos. Às vezes, só o tema se repetia. Outras vezes, era tudo igual mesmo. Eu acordava como se tivesse saído de um filme de ação, suada e cansada, com medo.
O medo estava sempre presente, desde os pesadelos mais “simples” com baratas gigantes que vinham me atacar até aqueles em que me encontrava em locais extremamente altos, quase sem chão, terrenos instáveis, sujos e inseguros, sempre sozinha, subindo, subindo por muito tempo sem saber como iria voltar ou mesmo o porquê da escalada. Uma queda interminável que nunca atinge o chão? Era uma alternativa frequente.

Quando jovem, passei a ter outras experiências noturnas, recebendo respostas e dicas de sobre problemas cotidianos, por exemplo, se devia terminar ou não com tal namorado…. Algumas vezes, ficava na dúvida se eram sonhos ou regressões espontâneas a um passado remoto, na infância ou épocas mais antigas. Era como ter uma vida paralela sem limites de tempo ou espaço, onde eu conseguia me ver como várias personagens da trama ao mesmo tempo, diferentes papéis – uma fragmentação do ego facilmente explicada pela psicologia moderna.

O interesse em entender esses eventos noturnos foi despertado desde cedo. E me tornei cliente assídua de livrarias – as reais mesmo, onde os livros são de papel, e aceitam anotações e podem ser emprestados. Buscando nos livros sobre sonhos e psicologia, um universo que tivesse alguma correspondência com esse meu mundo paralelo, interior.

Será que eu teria de fazer psicologia para me entender?

 

Inspirações

Cada dia um novo começo.

Cada dia uma nova luz.

Cada dia uma nova chance.

De fazer o certo ou o errado. De arriscar ou  ficar parado. De pedir o que se quer ou ficar esperando o outro adivinhar. Tantas coisas…

Cada dia uma nova inspiração – muito além da inspiração natural dos nossos pulmões que a gente mal percebe.

Todo dia merece uma inspiração especial para dar mais energia e força ao nosso trabalho.

É isso, uma inspiração para cada dia ser especial.

“A vida é assim né mãe…” fala com frequência minha pequena de 9 anos.

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