O que efetivamente podemos comemorar hoje?
Liberdade, igualdade? Muita coisa mudou, porém há muito a percorrer ainda…
Em 1908, Nova Iorque não era para principiantes e a exploração da mão de obra feminina era intensa. Houve uma greve por melhores condições de trabalho com represálias e mortes. O movimento se espalhou por outros países mesmo sem a facilidade da internet de hoje.
Mulheres e luta, mulheres e direitos, mulheres e seus corpos. A desigualdade existe desde há milênios com requintes de opressão, abuso, agressão física e psicológica e variadas torturas… Apesar de termos uma noção de igualdade no ocidente – que não é real – muitos países do oriente ainda mantém costumes extremamente arcaicos assim que ainda devemos agradecer por termos nascido em terras abençoadas a oeste de Greenwich. Devemos agradecer pela liberdade (relativa) que temos, pelo respeito (relativo), pelas oportunidades (relativas), pois a partir desses pontos, conseguimos expandir mesmo que lentamente em busca de equanimidade.
Igualdade de direitos? Pode ser que um dia alcancemos e devemos seguir nessa busca.
Igualdade de responsabilidades? Igualdade total e irrestrita não creio ser possível pois seria muito benéfico respeitar as caraterísticas particulares de cada gênero. Não somos homens de saia. Temos oscilações hormonais intensas, temos de dar à luz e criar novos seres, temos muitas responsabilidades que não podemos repassar ao companheiro por mais gentil e dedicado que ele seja, portanto, euzinha – na minha lucidez ingênua de menina grande e desejosa de equilíbrio na vida – adoraria ver homens sendo homens e não machos mimizentos e mulheres sendo femininas, ambos em harmonia e cooperação, visando a construção de famílias estruturadas, a base da sociedade.
Se não conseguimos parceria verdadeira com o homem que dizemos amar e que declara amar-nos de volta (micro), como haverá equilíbrio em grupos maiores, na sociedade (macro)? O modo como operamos em casa será expandido para empresas e escolas, para associações e governos. A saúde mental e emocional começa em casa e muito dessa responsabilidade recai sobre os ombros da mãe, mulher, cuidadora.
Meu grande sonho de consumo como pessoa é encontrar o equilíbrio entre o dar e o receber, entre servir e ter apoio, entre cuidar, honrar e ser mimada e desejada. Entre ser mãe, parceira, filha, irmã, colega, amiga, funcionária, empresária, anfitriã, vizinha, amante, amada, amor, inspiração e luz no caminho de quem cruzar o meu caminho.
Pois, quando temos de dar conta de tudo (ou quase) sozinhas e não temos a musculatura masculina (não somos homens de saia!) para sustentar essa demanda toda, perdemos o brilho no olhar, perdemos a gentileza, a feminilidade, o perfume, os sonhos, perdemos o encanto por nós mesmas e pela vida e, consequentemente, vamos contribuir contribuir com rancor e cansaço, inveja e dissimulação para um mundo sem graça e sem cor porque simplesmente não dá tempo e não damos conta e não temos de dar conta.
Quando eu era menina, eu desejei ser menino algumas vezes porque eu percebia como eles eram mais livres e soltos, mais leves e sem obrigações. Não se cobrava deles manter a cozinha limpa, nem o quarto arrumado. Talvez isso tenha contribuído para eu criar um corpo mais reto, sem as curvas características que a gordura corporal modela tão lindamente nas mulheres.
