Ano novo, tudo velho.

Sempre me perguntei por que tinha de estar obrigatoriamente feliz no natal. Por que deveria abraçar e desejar felicidade, saúde e paz a pessoas que passaram o ano infernizando a minha vida. Qual o sentido disso?

Hipocrisia. Mentiras. Faz de conta que está tudo bem. Perdão – falso ou  verdadeiro? O que seria genuíno nesses desejos, nesses abraços? Essas datas sempre me incomodaram muito…. Achava tudo “forçado” demais. Isso teve início na adolescência, quando “comecei a pensar” porque, enquanto era criança vivendo numa família enorme, tudo se resumia a um churrasco a mais na vida – em casa, as coisas nunca acabavam em pizza.

Sempre me perguntei por que as pessoas ficam tão felizes quando um ano acaba. Como se tudo o que passou fosse ruim e a simples virada de uma página do calendário na parede fizesse desaparecer milagrosamente todas as dores, problemas, tristezas… Se o casamento está ruim, esse ano melhora. Se os negócios vão mal, esse ano engata. Se engordei, esse ano a dieta não me escapa. Se a saúde foi afetada, esse ano vou me cuidar. Prometo. Prometo a mim, a deus, a quem mesmo?

É importante ter metas e objetivos de melhorar em diversas áreas de vida. São formas de direcionar a energia e o planejamento da ação.

O que me pega no estômago é uma tal esperança de que em algum lugar um “deus calendário” vai me curar, curar meu relacionamento (quer dizer: transformar o sapo em príncipe!), curar minhas dores e solucionar meus problemas, todos eles! Apenas porque mudamos um número ao datar o cheque. Os números tem sim sua força, mas nada de numerologia no momento.

Uma forma de pensar e atuar no mundo como se não fôssemos responsáveis pelas nossas escolhas. Sujamos a casa e esperamos que alguém venha limpar para nós – sem sofrimento e sem esforço, por favor.

Só que… Ninguém vem nos salvar.

A única coisa que pode efetivamente mudar qualquer situação desagradável soy yo. Io. Moi. Me, mysefl and I. Euzinha, eu só e mais ninguém.

⇒ Eu devo dar o passo na direção do meu sonho. #partiusonho

⇒ Eu devo fazer a inscrição naquele curso que me chama. #estudarsempre

⇒ Eu devo começar a me cuidar e me respeitar sem esperar que os outros me respeitem primeiro. #eumerespeito

⇒ Eu devo fazer as coisas certas e que me fazem bem sem esperar reconhecimento por elas. #eusouobem

⇒ Eu devo cuidar do meu corpo e do que coloco dentro dele em termos de comida, bebida, emoções, fluidos – o que eu engulo, aceito dentro de mim e posso digerir – sem esperar que os outros cuidem da minha alimentação emocional ou física. #eumeamo

⇒ Eu devo ser a primeira pessoa a sair de um espaço onde minha presença não é bem-vinda respeitando os que ficam e me respeitando, evitando abusos. Não tem aquele ditado que diz que os incomodados que se retirem? #partiuserfeliz

⇒ Eu devo parar de reclamar das coisas que não dão certo, desligar esse imã atrator de coisas que não dão certo para conseguir limpar a mente e agir de forma positiva. #foconopositivo

⇒ Eu devo parar de colocar minha sorte na mão dos outros. Todos tem interesses diversos e quem sabe o melhor para você é você mesmo. Não delegue as decisões importantes da sua vida! #euconfioemmim

⇒ Eu devo ser grato pelas coisas que tenho. #gratidão 

Como diz minha pequena: “Sim, só que não.” Com isso quero dizer: você escolhe, faça o que for melhor e mais adequado para você. Só não culpe os outros em dezembro de 2018 se nada tiver mudado de verdade. Como ando lendo mais e mais sobre Jesus, o cito novamente: “O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.”

Dia 1 de janeiro de 2018 vai chover aqui, em algum lugar vai ter sol. Pessoas vão nascer, pessoas vão ficar doentes. Alguns se casam, outros fogem de casa. No dia 1 de janeiro de 2018, você vai acordar de manhã (ou à tarde dependendo da noitada!) e a única pílula mágica à sua disposição será o analgésico para dor de cabeça…

No final das contas e do ano, é apenas mais um dia – com café, almoço e janta para os privilegiados do planeta. Não vale mais que os outros 364, não dura mais. O despertar que importa é interno e esse não depende de datas. Todos os dias podem ser mágicos e transformadores. Só depende de você.

2 comentários em “Ano novo, tudo velho.

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