Família…

Cada cliente que eu atendo em terapia me traz insights incríveis. Semana passada, a ‘família’ entrou na sala escondida na bolsa. Família é um dos pontos nodais da vida nessa realidade. Irmãos, pais, tios, cunhados, primos próximos ou distantes podem ser anjos encarnados ou gentis manipuladores. A gama varia desde os elegantes na arte do abuso àqueles bem claros nas suas intenções – euzinha prefiro a clareza mesmo que me assuste com cara feia. E eu digo assim: “é ruim mas é bom, porque assim você sabe com quem está lidando”.

Há tempos, essa cliente vem disputando com os irmãos. Eles depositam nela todos os problemas dos pais de forma que a prosperidade que ela alcançou à custa de muito trabalho carrega um efeito colateral desagradável. Ter uma boa situação financeira a torna responsável por todas as demandas da família. Quem assinou esse contrato? Os irmãos menos abastados se esquivam tanto das tarefas materiais como das humanas. Afinal de contas, ela dá conta…

Nada é o que parecer ser. A partir de um fio puxado no novelo da realidade chegamos a várias criações mentais ou estratégias que adotamos antes sequer de suspeitar do significado da palavra estratégia.

Ajudar alguém que pode rebolar para resolver as próprias porcarias ensina essa pessoa a depender de você. O resultado básico dessa conta é: ela fica “folgada” e você sobrecarregada. Por outro lado, isso implica numa sensação de poder, superioridade e controle. Olha só: eu estou cuidando de tudo, eu sei tudo o que está acontecendo, nada me escapa, estendo meus braços em todas as direções, todos precisam da minha benção para algo… Isso soa leve ou pesado para você?

No longo prazo, pode acumular overdose de problemas alheios nos ombros, sobrecarga mental com tanto assunto dando curto circuito na cabeça. Se as coisas vão bem, ninguém agradece. Se dão errado, a culpa é sua. Qualquer hora, o corpo vai gritar – já que, se ele falar baixo, provavelmente você não vai escutar, estará muito ocupada.

Por que alguém faria isso? Por que adotar essa estratégia de controle mantendo todos debaixo das asas? Por que alguém precisa se sentir “necessário” ao ponto de comprometer a própria saúde? Será que, se as pessoas não precisarem do meu dinheiro, elas ainda vão me incluir nos seus planos? Será que eles me chamam apenas porque eu pago as contas, o jantar, as viagens, o hospital?

Qual a base dessa ligação: amor ou interesse? Família nem sempre corresponde aos nossos sonhos românticos… A distância entre a realidade e a projeção pode ser enorme. Dizem que escolhemos nossos pais. Se sim ou se não, não tenho como ter certeza. De qualquer maneira, algo reuniu grupos de pessoas para compartilhar experiências. Pode ser pura ressonância, quem sabe?

Depois de vários anos atendendo a demandas de várias pessoas, negligenciando as próprias necessidades e desejos… pode parecer impossível mudar o rumo. Porém não somos um trem desgovernado condenados a um trilho estreito até o fim da linha. A gente tem pernas para saltar e asas para explorar novos pontos de vista.

A partir do momento em que você toma consciência desses aspectos dificilmente manterá a mesma forma de pensar-agir-reagir. A consciência do que está por trás de ‘ser solícito e sempre disponível’ ilumina outros caminhos de ação e você pode escolher. Novas escolhas criam novos futuros.

E nada de se desculpar por ter sucesso!

Meu convite para a cliente foi o seguinte: hipoteticamente, se você conseguir mudar a sua percepção, pode mudar tudo e vai doer menos. Parece cliché, fácil demais para ser verdade. Na prática, funciona assim: vamos pegar o irmão como exemplo. Consegue olhar para ele como se ele fosse (e é) apenas um ser humano como outro qualquer: um ser ‘estragado’ com muitas carências, problemas, frustrações, navegando a vida no seu barquinho de egoísmo infantil, com seu suprimento particular de interesses enlatados, buscando menos sofrimento e mais prazer, por favor… Ou seja, o que ele faz ou deixa de fazer não é para te irritar. Ele faz o que faz porque é o que ele acha/percebe/sente que é o melhor para ele e ponto. Não é pessoal, não é contra você. É apenas a favor dele.

E você faz o que faz por ele, pelos pais, filhos, vizinhos e por você porque você acha que é o melhor que pode fazer. Cuidar dos outros torna a pessoa tão ocupada que não sobra tempo de sentir as próprias dores. Assim, dá para fingir que elas não existem. Melhor cuidar do problema dos outros que mirar o espelho e ver um rosto cansado olhando de volta e inquirindo: “e aí, tá contente, o que você quer da vida, você sabe?”

Quem passa a vida cuidando dos outros mal tem tempo de saber do que gosta…

Aliás, cuidar dos outros é um sistema de fuga super eficiente!

Os ponteiros do relógio sempre apostando corrida e quando percebe, muita coisa ficou pra trás.

Quando se olha as pessoas da família como seres em evolução (assim como nós) cheios de questões não resolvidas, você deixa de criar expectativas ilusórias a respeito delas, se livra de julgamentos e acusações que incitam brigas e pode se abrir para a compaixão – primeiro, por você mesmo e depois pelo outro. Simples e complexo ao mesmo tempo.

A arte de não criar expectativas ou destruí-las assim que toma consciência delas, mais a arte de não levar as coisas para o lado pessoal são duas estratégias que ajudam muito nos relacionamentos de toda espécie, familiares, de trabalho, de estudos.

Não basta querer a nível intelectual. É um treino. Criou expectativa, destrói a tranqueira o mais rápido possível! Levou algo para o pessoal: quem disse que você é o centro do mundo? Menos arrogância e mais movimento. Destrói logo esse julgamento antes que ele envenene o seu dia, o seu corpo, as suas decisões. Use as ferramentas quânticas, a sua varinha mágica. O mesmo poder que cria confusão pode des-criar o imbróglio todo.

E eu sigo aqui no meu treino particular. “A gente ensina o que mais precisa aprender”, diz o ditado. A vida dá voltas e mais voltas e quando eu ouço as palavras saindo da minha boca, percebo o quanto elas valem para mim nesse momento. Ressonância pura! Cada cliente vem me curar de algo e me ajuda a expandir mais a consciência. Cada aspecto que curo em mim, abre mais espaço para viver com mais facilidade.

Publicado por Denise Fracaro

Sou uma pessoa que não cansa de estudar, em busca constante de autoconhecimento, com imenso prazer em compartilhar seus achados para o benefício de todos os seres. Além de blogar, trabalho com terapias quânticas usando diversas técnicas e dou cursos e workshops.

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