Chilique de ir embora

Desde que me conheço por gente, tive esse negócio estranho que batizei de “chilique de ir embora“, ou seja, sempre prefiro ter a opção de partir de qualquer lugar a qualquer hora sem ter de dar explicações, sem depender de ninguém.

Isso pode ser um tanto limitante na vida prática. Na juventude, período de discotecas e baladas, sair de carona com outras pessoas gerava muita tensão pra mim. E se eu quisesse ir embora antes da hora certa? Dar carona, pelo contrário, era muito simples e eu deixava bem claro que, mesmo que a festa estivesse no auge, se me desse ‘chilique de ir embora’, eu iria. E se a carona não quisesse vir, eu não ficaria nem um pouco chateada – da mesma forma que ela não deveria se chatear caso eu a deixasse curtindo a vida adoidado.

Essa vontade súbita de sair de um determinado lugar pode não fazer sentido algum quando se vê apenas com os olhos. Aparentemente, as coisas estão fluindo, as pessoas estão se divertindo e ‘tá tudo bem’, por que razão eu deveria me apressar em sumir dali? Nem eu mesma entendia o porque. Apenas sentia um alívio enorme ao passar pela porta, vez após outra. Era um sentido de urgência!

Mesmo que não tenhamos a menor noção de como as energias de formas pensamento e formas sentimento se projetam e se fundem entre as pessoas, elas fluem como as correntes marítimas invisíveis atraindo alguns e repelindo outros. Fluxos conscientes e inconscientes se misturam sem nenhum tipo de preconceito de cor, raça, temperamento, padrão social. Energia não mente. Energia apenas é.

A maioria das pessoas já experimentou sensações de estar sendo “observado” alguma vez na vida. Em alguns casos, pode-se localizar a fonte de tais olhares, em outros, não. Em ambientes cheios de gente como festas, shows, centros da cidade, igrejas etc, a população presente é sempre muito maior que os seres envoltos em pele e pelos. Mesmo quando estamos sozinhos na natureza, outras presenças podem transformar um lugar maravilhoso num ponto negativo onde nem sempre a energia é benéfica para nós.

Como saber? Como saber se a gente não tem olhos para ver? Atenção ao seu corpo e às informações que ele transmite a você o tempo todo. Sugiro a prática de auto-observação carinhosa, com acolhimento do seu sentir. Sem julgamento, por favor, sem entrar em nóias mentais se deveria ou não, se poderia ou não, se está certo ou não. Não tem certo ou errado, tem o que é benéfico para você, o que funciona para você e talvez para mais ninguém…

Essa busca interna costuma ser solitária. Temos sugestões, receitas de bolo, intuições. Podemos ter muita ajuda se a aceitarmos mas sempre é um caminho solitário no sentido de eu comigo mesmo, eu com meus botões. Quanto mais à vontade você estiver consigo, mais fácil se aceitar, olhar para esses momentos e se sentir em paz com suas escolhas.

Se nos guiamos apenas pela logica, muitas coisas não fazem sentido. A lógica não é suficiente para explicar a Vida. O intelecto com toda a sua inteligência e capacidades serve muito bem para levar a vida prática, construir pontes de concreto, fazer investimentos, entender mapas mas não te ajuda a se entender nem a se sentir melhor dentro das roupas que veste. Pela lógica, muitas pessoas não teriam a menor razão para se sentirem deprimidas e “deveriam” ser capazes de mudar esses estados rapidamente com todo o conhecimento que possuem. Não é verdade?

Sim, só que não!

Gostaria de te convidar a experimentar a solitude, experimentar de verdade o estado de ser sem se preocupar em estar certo, em ter de mostrar-se de determinada maneira, sem ter de provar nada para ninguém – nem para você mesmo. Você não tem de se comparar com ninguém e nem competir consigo mesmo: se ficou só e em paz por mais tempo hoje que ontem – que diferença faz?! Apenas estar em sua companhia em casa, no carro, qualquer lugar e curtir SER.

Pode parecer um vazio tremendamente assustador. Desafio? Saudade? Vontade de mergulhar nesse vazio ou fugir dele? Só você vai saber o que é verdade para você, ninguém mais!

Dê o momento presente de presente para você!

Publicado por Denise Fracaro

Sou uma pessoa que não cansa de estudar, em busca constante de autoconhecimento, com imenso prazer em compartilhar seus achados para o benefício de todos os seres. Além de blogar, trabalho com terapias quânticas usando diversas técnicas e dou cursos e workshops.

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