Amo verdadeiramente?

Buda e os Quatro Elementos do Amor Verdadeiro

Estava vendo um vídeo de Thich Nath Hanh, no qual ele explica como o budismo vê o amor romântico. Pouco importa se é amor romântico ou não. Importa sim se é amor verdadeiro. Segundo Buda, o amor inclui quatro elementos:

  1. Bondade amorosa: capacidade de oferecer ou proporcionar a felicidade ao outro.
  2. Compaixão: energia capaz de remover o sofrimento do outro
  3. Alegria – carece de explicação?
  4. Inclusão: o sofrimento dele/dela é o seu sofrimento, a felicidade dele/dela é sua felicidade. Não existe a frase: ‘ah, isso é problema seu.” Se existe um problema, ele é dos dois.

Esses elementos precisam estar presentes nas duas pessoas – um só carregando o piano não funciona. Quando se tem sucesso no amor entre duas pessoas (amor romântico), normalmente ele se amplia e passa a englobar outras pessoas, os animais, as plantas, o planeta.

Bora olhar no espelho, vasculhar as entranhas, por um holofote na sombra que me habita!

Esses elementos estão presentes no meu relacionamento?

Bondade amorosa: Desejo realmente ver/sentir/proporcionar a felicidade dele, de todas as pessoas que amo? Sim, sim tenho esse desejo por todas as pessoas que amo. O quanto isso acontece no dia a dia? Podemos perguntar para elas. Cada um tem suas expectativas, algumas não podem sempre ser satisfeitas.

Isso é uma questão mais de ‘fazer’ ou de ‘ser’? Isso demanda um ‘esforço’ da minha parte ou flui com naturalidade? E quando o meu desejo é incompatível com o dele? Equilíbrio delicado de se alcançar na vida moderna.

“Que todos os seres tenham a felicidade e as causas da felicidade.”

Escrevi sobre isso em:https://reikiquantico.com/2017/07/11/que-todos-os-seres-tenham-a-felicidade-e-as-causas-da-felicidade/

Compaixão: Desejo minimizar o seu sofrimento? Simmmmm! Sempre! Minimizar o sofrimento de todas as pessoas que amo e de todas as pessoas que nem conheço e nunca passaram perto da minha mente.

 “Que todos os seres estejam livres do sofrimento e das causas do sofrimento.”

Aqui cabe uma confissão: no meu pequeno mundo particular, sinto que, às vezes, é mais fácil facilitar esses dois processos (felicidade e eliminação do sofrimento) para pessoas lá de longe do que para as pessoas que estão aqui junto ao meu lado, na mesma estrada.

Por quê?

Com as pessoas próximas (família, principalmente) temos expectativas, cobranças, temos uma estória de acertos e erros, de machucados e traumas emocionais. Essas expectativas e cobranças pesam sobre nós e sobre pessoas de nosso convívio como um grande bloco de concreto energético aguardando o momento de ser dissolvido e desintegrado.

Outro fator é que, com as pessoas distantes, não precisamos nos relacionar 7/24 – sete dias na semana, 24 horas seguidas. São encontros curtos, esporádicos. A intensidade do convívio torna mais desafiador o exercício da compaixão.

Em casa, em família, “condições” surgem entre o nosso desejo genuíno de eliminar ou suavizar o sofrimento do outro e sua efetiva realização. Te ajudo sim, desde que:   

  • não me exija muito
  • não pese demais
  • seja do meu jeito
  • respeite meu espaço
  • não queira que eu mude
  • não me tire da zona de conforto
  • se permita receber
  • se fizer algo em troca
  • … … … … … … …

Algumas dessas condições são impostas de forma inconsciente. Outras não. Permissão, abertura para conversar francamente sobre seus/meus desejos e necessidades. Liberdade para ser diferente do que se espera, do que um deseja que o outro seja. Válido para todos os lados.

Alegria: Essa é fácil. Ser alegre, ser leve, ser solto, espontâneo. O riso vem naturalmente quando as coisas estão bem. Quando os desafios da vida entram em casa sem bater e te pegam de pijama transparente na sala, ai ai ai…

Tem pessoas carrancudas, verdade, até parece que pagam imposto para sorrir. Nem mesmo quando a vida escancara uma gargalhada na cara delas, com presentes e surpresas, elas comemoram. Caso perdido? Nunca, sempre tem jeito desde que…. elas minimamente tenham o desejo de mudar.

Inclusão: Afinal de contas, isso aqui é uma parceria? Ou o que é meu é meu, o que é seu é seu? Um dia, num encontro casual de garagem, uma vizinha aqui do prédio comentou – dando risada – sobre os carros da família: “você sabe né, o que é dele é nosso, o que é meu é meu!”. A sinceridade dela nos rende boas risadas até hoje.

Aos 26 anos, quando estava me separando do meu primeiro casamento, um jornalista que trabalhava na consultoria comigo indagou apenas uma coisa: se a gente dividia as contas como um casal moderninho ou se havíamos ‘juntado os trapos’ em todos os sentidos, compartilhando receitas e despesas.

Naquele relacionamento, era tudo separado. Absolutamente tudo, os mantimentos na dispensa, a gasolina do carro calculada aos centavos, as contas de restaurante, os consertos. Ele ganhava mais do que eu, claro, eu era estagiária na Shell e qualquer um ganhava mais do que meu soldo de meio salário mínimo. A gente vivia como roommates num campus casa de bonecas onde 1+1 < 2.

Segundo o colega jornalista, um relacionamento assim não tem chances de dar certo – essa conclusão era fruto de sua observação pessoal, nada científico. Meu casamento havia se arrastado por cinco anos, pontuados por DRs semanais num sofá preto com flores que me dá ânsia de vomito só de lembrar. Sem alegria, sem cumplicidade, sem companheirismo. Um cenário de solidão a dois, onde apenas um estava satisfeito. O que eu mais ouvia nessas DRs era: ‘se não tá bom pra você, os incomodados que se retirem’. Essa frase típica dos pequenos vibrava com imaturidade. Casei criança com um menino mais criança ainda que eu. Aprendizado dolorido.

Existem muitos casais que separam as contas. Ou porque um é perdulário, relapso, o outro milionário, não importa – em qualquer caso, é a escolha de cada um. Aqui em casa, é tudo junto e misturado. Contas e despesas. Para fazer festa surpresa é preciso ser malabarista do Cirque du Soleil. Sempre damos um jeito!

Refletindo hoje sobre isso…

Muito tempo depois, percebo que inventei uma nova síndrome ainda não analisada pela ciência moderna: SHDR, ou seja, “Síndrome de Horror à Discutir a Relação”. Só de pensar em sentar para conversar – cobranças, julgamentos, expectativas, feridas abertas etc – já treme tudo aqui dentro. Nota zero no meu boletim!

Empurrar com a barriga não funciona.

Fazer como os nossos pais e copiar padrões herdados tampouco funciona. Os padrões herdados são diferentes. Italianos do Veneto cabeça quente-pavio curto de um lado e portugueses turrões de Manteigas do outro. Imperialistas e latifundiários, com politicas expansionistas e exploratórias. Certezas à venda por preços módicos. Definições parceladas em até 12X sem juros. Contratos pesados em balança viciada à moda antiga. 

Em determinadas épocas, mantem-se um equilíbrio distante, diplomático, pisando com suavidade em terreno minado. Nada confortável.

Hora de entrar com a escuta gentil, amorosa, sem barreiras. Estar à disposição. Ofertar tempo e colo. Ouvir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.