Você sabe respirar?

Claro, né, que pergunta mais boba! A primeira coisa que fazemos ao escorregar para fora da barriga da mãe é respirar, simples assim. Quando bebês, respiramos delicadamente com aquela barriguinha redonda subindo e descendo, subindo e descendo…

Peraí, mas o pulmão não fica na barriga, fica dentro da caixa torácica – uma embalagem toda especial desenhada para proteger esse órgão tão vital à vida. Se o órgão da respiração não fica na barriga porque a barriga do bebê sobe e desce? O movimento poderia ser só no peito, certo? Errado! Bebê sabe respirar perfeitamente, nasce sabendo. Depois, inventa de crescer e desaprende.

Como se pode desaprender algo tão básico?

No processo de educação ou “domesticação” – achei esse termo mais adequado (do livro “Os Quatro Compromissos”, gratidão Karin mais uma vez), vamos levando pancadas da vida que nos fazem engolir em seco, prender o choro, sufocar as emoções, deixar de expressar a raiva ‘porque é feio’ etc… Enfim, vamos sendo devidamente enquadrados à cultura local.

Essas memórias desagradáveis, nós as distribuímos por vários locais do corpo e também lá no fundo do baú do pulmão junto com o ar que não exalamos naquele momento marcante. Esse estoque de ar é composto basicamente de gás carbônico mais os detritos da limpeza do sangue – material que deveria ser posto para fora assim como colocamos o lixo de casa todos os dias.

Gente grande volta para escola de alfabetização quando pulou essa etapa na vida.
Gente de todos os tamanhos desconectada do próprio corpo também precisa voltar à escola de respiração.

Quando fiz curso de mergulho, precisei aprender a respirar pela boca, segurando o regulador. Que sufoco! Aquela máscara apertada me fez sentir sufocada ao ponto de entrar em pânico. Resultado: não consegui concluir o curso naquele fim de semana e parti para um treinamento individual. Dotado de muita paciência, meu marido me deu aulas na piscina até eu conseguir ficar razoavelmente confortável naquele aparato pesado e desengonçado. Mergulhamos em paraísos como Fernando de Noronha e Tahiti. Valeu a pena, contudo, não sinto vontade de repetir essa experiência sufocante.

Para os mortais que andam sobre a terra, a maioria de nós, o que precisamos aprender é respirar com consciência, calma e profundidade. Bendita yoga e seus pranayamas – exercícios respiratórios variados que expandem a bioenergia do corpo, ampliam a capacidade pulmonar, limpam os resíduos esquecidos no pulmão e ainda direcionam a energia para determinados objetivos. Trazem alguns efeitos colaterais, como por exemplo: acalmam a mente, limpam o cérebro, ativam a energia vital, ajudam na reconexão ao seu ser divino…. Mas quem vai reclamar disso?

Respirar é vital. Respirar é também um tipo de remédio. A palavra remédio vem do latim remedium e significa “coisa que cura”.

A respiração da ansiedade, por exemplo, tem como característica ser rápida, curta e alta. Rápida e curta: não inalamos a quantidade necessária de ar, nem descartamos todo o ar que colocamos para dentro – feito um cachorrinho depois da corrida. Alta: fica restrita à camada superior do pulmão desprezando toda a parte média e inferior, desprezando a elasticidade do diafragma, deixando esse coitado meio atrofiado.

Quer aliviar a ansiedade?

Respira.

Respire fundo, conte 6 tempos para a entrada do ar e 8 tempos ou mais para a saída. Repita 10 vezes. Deixe todo o ar residual sair até colar a barriga nas costas. Desapegue das memórias negativas e mande todas elas de volta ao infinito céu azul. Faça isso à noite para dormir bem relaxado. Faça ao acordar para ter um dia harmônico. Faça de novo ao meio-dia para quebrar o fluxo neurotizante do trabalho. Faça sempre e quando quiser.

Respirar não tem risco de overdose.

Ao final de uma semana ‘bem aerada’, a respiração nos intervalos dos exercícios torna-se naturalmente mais suave e profunda, provocando a debandada de outros inquilinos indesejáveis: a ansiedade é a primeira a abandonar o barco. O estresse acaba indo junto porque não tem mais a colega para fofocar. O medo, ah esse é mais resistente. Ele se agarra forte às beiradas da proa esperando, torcendo por uma onda que vire o barco e reafirme a necessidade de sua existência infame. Cruel.

Persistência. Disciplina. Autocuidado. Podemos ser graduados e pós graduados em energia vital.

Respira.

Lembra de respirar pelo amor de Deus!

Eu tenho uma amiga querida que usa o despertador do celular para lembrar de respirar conscientemente de hora em hora! Achei o máximo essa ideia, bem homeopático. Se, a intervalos de seis horas ou a cada hora, não importa. Importa sim é melhorar a qualidade do prana que flui pelas suas veias e alimenta todo o seu corpo.

om - 1

6 comentários em “Você sabe respirar?

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