Segredos de Um Modo Antigo de Rezar

Férias para viajar, para ficar mais com a família, para deixar a correria da cidade grande… Para tantas coisas, menos para descansar! Uma das coisas que mais me encanta nessa época é ter tempo para ler tomando sol na rede com a trilha sonora das ondas do mar e do vento nos coqueiros…

Recentemente ganhei da minha amada irmã um livro de Gregg Braden chamado “Secrets of The Lost Mode of Prayer” – em português, “Segredos de um Modo Antigo de Rezar.”

Para que rezar? 

Venho de uma família de rezadeiras. Minha avó era uma benzedeira era muito requisitada na sua pequena cidade do interior e minha mãe herdou seus dons mágicos. Esse mundo encantando sempre me fascinou. Mesmo tendo sido relegado a crendices por tanto tempo, hoje a ciência vem estudando os efeitos e possibilidades da oração.

Quando a gente pede algo que não temos – seja saúde, namorado ou dinheiro – focamos na carência, na dor, na doença, na solidão, nas contas a pagar empilhadas na prateleira…

Quando a gente pede sentindo angústia, desespero ou total falta de perspectiva – tem gente que só lembra de rezar mesmo quando a coisa está feia de doer e não pode piorar mais – o que estamos vibrando em cada uma das nossas células? O que estamos sentindo? Angústia, tristeza, raiva, impotência… Esses são os sentimentos que se postam de damas de companhia das nossas súplicas.

Visitando várias tradições ao redor do mundo, pertencentes a diferentes filosofias, Gregg chega a uma conclusão simples: o sentimento é a oração. O que sentimos no momento da oração é o que o universo recebe e nos manda de volta. Emitimos tristeza, a tristeza baterá na porta em breve. Sentimos raiva, o universo nos manda mais motivos para ter raiva. “Pedi e recebereis” disse o mestre.

Tanto os índios como os monges realizam rituais usando sinos, batuques e cantos para criar o sentimento do que desejam. Com o ritual, eles e tudo em volta deles ficam imersos no sentimento de fartura, saúde, bem-estar, felicidade, alegria… seja o que for que estejam “precisando”. Assim, a oração é praticamente automática e as palavras se tornam quase desnecessárias.

Não há nada de errado em ter desejos, nada de errado em querer coisas que não temos, contudo, a forma de acessar o estoque infinito do universo e obter o que realmente queremos (e não o contrário) foi sendo esquecida ao longo dos séculos…

A chave mestra para sermos atendidos é associar à oração todos os sentimentos do desejo realizado, as sensações corporais e cada detalhe específico que quisermos. Quanto mais pudermos sentir a sensação de que está feito, assim é.

Há muito tempo atrás, li um artigo na internet sobre um experimento feito nos Estados Unidos envolvendo meditação para a paz. Em vez das intermináveis e ineficazes “lutas contra o crime ou contra as drogas” que vemos tanto na mídia, foi reunido um grupo de pessoas para meditar sentindo e vibrando paz.

Acabei “perdendo” esse artigo e passei um bom tempo procurando esses dados. E eis que eles aparecem agora nesse livro do Gregg. Delícia!!!

Comparando as estatísticas da polícia, todos simplesmente TODOS os índices caíram: desde as entradas na emergência, assaltos e assassinatos aos acidentes de trânsito.
Como isso foi possível e, ainda por cima, a custo zero – sem gastos com propaganda, armas, policiamento ou repressão? De que tamanho era esse grupo?

Aí vem a beleza da matemática: o número de pessoas necessário para implementar uma mudança é bem pequeno: a raiz quadrada de 1% da população a ser beneficiada.

Traduzindo: para uma cidade de um milhão de pessoas, bastaria um grupo de 100 mentes queridas em uníssono. Para um planeta de 6 bilhões de habitantes, apenas 8 mil pessoas lindas e dispostas são necessárias para gerar mudanças mensuráveis.

População de 1 milhão ⇒ grupo de 100 pessoas
População de 6 bilhões ⇒ grupo de 8.000 pessoas

Por mais que alguém se espante com a singeleza desses números, lá no fundo sabemos que isso é possível e acontece todos os dias, em menor escala em casa, entre amigos e no trabalho.

Certamente você se lembra do impacto da chegada de uma pessoa maravilhosa e querida numa reunião: a sala se ilumina, as pessoas se animam, se alegram, são atraídas para perto dela. Tem gente assim – só de ficar perto, parece que as preocupações somem. Da mesma forma, o oposto também é verdadeiro. As coisas podem estar calmas até um tipo estranho entrar num determinado grupo e começar a disparar sua metralhadora de intrigas. Brigas e conflitos, fofocas e separações passam a ser “o normal” daí em diante.

Esse experimento americano demonstra também que quando sentimos paz dentro de nós, o mundo à nossa volta reflete essa paz, como um espelho. Quando não, vemos os nossos conflitos internos (conscientes ou não) refletidos nas brigas das crianças, nas escolas e nas empresas.

Extrapolando, o mesmo acontece com países e com o planeta. O que queremos encontrar quando abrirmos a porta de casa? Lixo nas ruas, grosserias, inveja e maldade?

O que temos aqui é o poder dos grupos revelado em números. O que impede que as mudanças positivas sejam efetivadas nas famílias e na sociedade? Preguiça, procrastinação, egocentrismo?

Ao término do experimento com os grupos de meditação, os índices de criminalidade voltaram a subir. “Orai e vigiai” – a vigilância constante dos nossos pensamentos e sentimentos é fundamental. A montanha russa de euforia e depressão tem custos muito altos, tanto pessoais como sociais.

Grupos de oração e meditação espalhados pelo mundo são importantíssimos para a saúde do planeta. O planeta está contratando! Monges de qualquer religião passam a vida meditando por um mundo mais tranquilo e sereno.
GREGG BRADEN
Há muito mais a explorar nesse livro. Gregg Braden apresenta de forma simples como extrair sabedoria da dor, revela o poder das bênçãos e da beleza e, sobretudo, como criar suas próprias orações.

Do ponto de vista em que a oração é praticamente sinônimo de sentimento e, sabendo que o tempo todo sentimos algo, a nossa principal oração não é aquela que fazemos na hora de dormir com as mãos em prece dois minutos antes de afundar no travesseiro. A verdadeira oração que dá a tônica da nossa vida acontece ao longo do dia, a cada segundo e, muitas vezes, completamente imperceptível à nossa mente consciente.
De Thich Nhat Hanh, no livro “Silêncio”:

“Nós somos o que sentimos e observamos.
Se estamos com raiva, somos a raiva.
Se estamos apaixonados, somos o amor.
Se observamos uma montanha nevada, somos essa montanha.
Enquanto dormimos, somos o que sonhamos.”

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