A dor que me habita

A dor mora nessa casa como um inquilino há muito inadimplente. Meu objetivo é viver sem dor, saúde plena, viver em estado de graça, amazing grace.

Escute enquanto lê:
https://www.youtube.com/watch?v=kYqwYpko6po

Viver sem dor física, essa dor que me tira do eixo, que me torna inútil, me entorpece o pensamento, me impede de trabalhar. Essa dor me paralisa, me prende no lugar. Uma camisa de força em todos os nervos e músculos.

Há alguns anos, quando estava fazendo o curso de chacras, eu tinha uma dor terrível no braço esquerdo que não me deixava dormir. Incomodava de dia e de noite. Me tirou a força – segurar uma jarra de água, nem pensar. Não havia posição possível onde o braço ficasse bem. Na época, a instrutora creditava essas dores ironicamente aos conflitos relacionados ao casamento – se brigasse com o marido, o braço piorava, então essa era a causa. Bingo!

Bingo nada.

Muitas sessões de fisioterapia depois, a dor persistia… Somente quando encontrei a técnica japonesa “sei tai” (que trabalha os nervos), tive realmente a solução para esse problema. A dor evaporou pelas mãos daquele pequeno homem idoso, gentil, calado e habilidoso. Gratidão Goto.

Contudo, o braço esquerdo continuou mandando sinais intermitentes: “attention please, attention please”.

Nem sempre o marido é o culpado de tudo. É tão fácil achar culpados mas nem sempre é o outro. Aliás, tudo o que me incomoda no outro é meu também, de alguma forma. O que me incomodava? O que eu precisava mudar? Pareciam mensagens criptografadas e meu computador central lento em decifrar…

Numa sessão de massagem com uma terapeuta maravilhosa e muito conectada ao mundo espiritual, Karin Fuchs, veio a seguinte informação: ‘é pra ela escrever’. A moça ria muito – porque estava trabalhando no meu braço esquerdo. O que ela não sabia era que eu sou canhota. Rimos juntas! Dessa brincadeira, nasceu um blog que completa um ano esse mês. Gratidão Karin.

Sou obediente, escrevo. publico. Mas ainda tem mais a descobrir…

O que vem a mim no momento é:

Somos seres tão complexos, vamos criando capas e mais capas de proteção por cima das dores que sofremos e não queremos sentir ao longo de uma vida ou mais vidas e, no final das contas, um mesmo sinal de alerta pode ter muitas causas. Como a ponta de um iceberg, a dor mostra que está lá “oie, olha para mim” e quando vai olhar e começa a mergulhar nesse oceano, vai vendo que tem camadas e camadas de gelo e cada uma delas reflete um padrão de comportamento, uma forma de resistência, uma tela de proteção, um trauma, uma humilhação, um despontamento, uma rejeição, um medo… travessiaSe ficamos no raso e nos contentamos com o primeiro item, nunca vamos acessar o fundo. É uma opção, apenas para quem tem a opção de escolher.

Se ficamos no raso, normalmente é porque ‘podemos’ ficar, ou seja, a dor passou, ufah, que alívio, não preciso mais me preocupar com isso, posso seguir com minha vida…

Se a dor persiste, é porque não nos deixam parar a busca. Não temos permissão de mergulhar só de snorkel. Precisamos nos equipar mais, com lastros e cilindros de ar e treinamento. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de ir mais fundo e limpar mais esse mar de dejetos.

Se a dor persiste, é porque A HORA É AGORA.
Você precisa curar essas memórias!

♥ Quantas vezes a mensagem precisa ser repetida? Dores crônicas!

♦ Quantas camadas vamos acessar? Quem sabe…

♠ Quantas técnicas precisamos aprender para nos curar e poder ensinar depois a alguém? Quem sabe…

♣ Quantos oceanos ainda vamos chorar?

O que sei – que nada sei – é que sou
um oceano profundo a desbravar:
todas as praias, ondas e
criaturas fantásticas,
a essência toda submersa,
paciente, aguardando uma visita.

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