Caminhante, se faz o caminho ao andar

Importante ter respeito pelos companheiros quando tomamos um caminho na espiritualidade diferente do habitual.

Como reagimos quando temos um relacionamento e algumas diferenças entre nós, até então despercebidas ou aparentemente sem relevância, começam a incomodar muito, como feras de garras afiadas prontas para o ataque ou como muros intransponíveis?

Se você tem um relacionamento, você atraiu essa pessoa por vários motivos. Houve uma sintonia consciente e inconsciente. A sintonia consciente refere-se, por exemplo, à idade compatível, nível sócio-cultural equivalente (conseguimos “falar a mesma lígua”), aceitação mútua das famílias de cada um e das atividades que exercem etc – a lista pode ser longa.

A atração inconsciente tem a ver com o padrão de energia que emitem, mais densa ou mais sutil, (in)compatibilidades espirituais e também com os contratos que fazemos antes de nascer – o que nos propomos a aprender nessa vida? Quem serão  nossos companheiros nessa nova estória? A inteligência do universo coloca essas pessoas no nosso caminho. Às vezes, reconhecemos esses seres como atraentes, outras vezes, como insuportáveis. As reações negativas extremas também indicam tarefas a cumprir. Podemos não aceitar no momento, buscar qualquer recurso para ficar longe dessas pessoas. Isso seria assunto para outro dia.

Vamos supor que aceitamos o convite e começamos a nos relacionar com o amor de nossas vidas. Abraçamos com carinho e emoção essa pessoa que o universo nos enviou, constituímos uma família linda, criamos filhos saudáveis! Tudo muito bom, tudo muito bem até que surgem questionamentos. Se estamos desenvolvendo o nosso compromisso espiritual e vivendo a nossa missão mesmo sem saber, estamos em paz. Mas se temos dúvidas em relação ao sentido da vida e começa surgir um vazio existencial, uma angústia, uma sensação de não pertencimento… Das duas, uma: ou fingimos que não é com a gente e enfiamos a cabeça na terra igual avestruz esperando “essa coceira existencial” passar, ou saímos em busca de respostas. E assim começa a nossa jornada do herói.

Quando lançamos ao universo um pedido do coração, da nossa essência, ele responde, ele sempre responde. E, como li ontem num outro post (não encontrei o link, sorry), a resposta é sempre Sim! As pessoas certas aparecem, livros caem da estante no seu colo, cursos e seminários, a vida flui e te supre com o material necessário. (Tenho uma estória bem pessoal e romântica que vou colocar logo logo sobre as respostas maravilhosas do universo. Aguardem.)

E como fica o companheiro(a) que está a seu lado, lhe dando força, coragem, ânimo, suporte e cafuné por tanto tempo? Ele(a) se atira junto nessa viagem ao desconhecido? Maravilha. Ou ele (a) empaca na negação: “não, não, está tudo bem, para que mexer em time que está ganhando? sempre resolvemos dessa forma, para que mudar agora?, vamos ficar por aqui mesmo que é confortável, tranquilo….”

A relação vai passar por estremecimentos, ajustes, até rupturas que podem ser temporárias ou não. As rupturas podem se apresentar no corpo físico se forem muito fortes. Faz parte. Faz parte do crescimento individual. Faz parte do crescimento do relacionamento para atingir um novo patamar de cumplicidade. Contudo, faz parte também ter respeito e compaixão. Respeitar o movimento de um, respeitar a pausa do outro. Respeitar o espaço de cada um, sua individualidade, seus interesses. Respeitar novas opções alimentares e sociais. Respeitar os momentos de silêncio e terapias. Respeitar a coragem de um lado e receio do outro. Dar o tempo que se faz necessário para subir à superfície e tomar fôlego antes da próxima investida às profundezas do ser. Nessas horas, o respeito é mais importante que o amor. Nessas horas, o respeito se enche de compaixão, aliviando o sofrimento, a dúvida e a incerteza do outro.

Saber que escolhemos essa pessoa para estar ali nesse momento e testemunhar o nosso despertar é ainda mais belo quando podemos proporcionar o conforto para que ela também avance na sua própria senda interior. Não há trilhas prontas a seguir, cada um faz seu caminho, como sabiamente nos explica o poeta Antonio Machado, em Cantares:

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Traduzindo à minha maneira:

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
Caminhante, não há caminho,
Se faz o caminho ao andar.
Ao andar se faz o caminho
E ao voltar a vista atrás
Se vê a senda que nunca
voltarás a pisar.
Caminhante, não há caminho
Senão pegadas no mar.
Poema cantado lindamente por Joan Manuel Serrat: https://www.youtube.com/watch?v=Lj-W6D2LSlo

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