fim de ano, começo de ano, fim… começo… fim…

Final de ano é sinônimo de estresse nas alturas. Muitos afazeres, metas para alcançar, trabalhos para entregar, presentes para comprar, casa para decorar, reuniões com os amigos, apresentações das crianças… Um fazer fazer fazer interminável num mês enlatado em vinte dias coberto por camadas de três meses de despesas.

A gente dá conta? Dá…

A qual preço?

Estresse bipando alto no monitor, cortisol nas nuvens, adrenalina a milhão, imunidade no subsolo. Intenso. Fim de ano é um curso intensivo de enlouquecimento e esgotamento. Há algum tempo, por vários anos seguidos, minha mãe ficava doente toda primeira semana de janeiro. Coincidência? Que nada, exaustão mesmo.

O que a gente tem feito com a gente? A quanto abuso a gente se submete voluntariamente?

O ano passou voando! Cada ano parece que passa mais rápido e isso confirma as teorias dos físicos bacanas que calculam os movimentos da Terra: realmente o tempo está acelerado. Uma hora nos idos de 1900 demorava mais para passar, dava para fazer mais coisas… Será? As pessoas também tinham menos coisas para fazer. Será?

Acho que sempre trabalhamos muito, em todas as épocas. Antigamente, se não plantasse, não comia – a vida não era moleza. Nada de nostalgia aqui. Nostalgia é uma palavra que nem existe na minha dimensão pessoal. Vivo cada época e pronto. Não fico pensando: “ah, lá em Nova Iorque é que era legal, tinha amigos de várias partes do mundo.” Ou “ah, minha vida de adolescente em Madrid é que era incrível, ia dançar todas as noites”. Em cada lugar e época aproveitei o que foi possível.

São Paulo é que é demais simplesmente porque é onde estou agora! Simples assim. Aqui aproveito o que quero da cidade e desconsidero as coisas que não me interessam. Aqui posso curtir as pessoas e meu trabalho que amo de paixão.

Aqui. Agora. É isso o que existe.

Essa aceleração natalina tem a ver com o comércio ávido por vender tudo sem se importar se, quem compra, vai precisar vender a alma para pagar as contas. Aí já ser problema do departamento de cobranças. 

A loucura de final de ano também pode encobrir uma depressão sensível em muita gente. Quantas e quantas vezes, no dia 31/12 as pessoas pulam sete ondas para Iemanjá, desejando uma série de mudanças na vida e, quando chega dezembro, bate aquela sensação de fracasso – a constatação de ter alcançado muito pouco ou quase nada. Será que Iemanjá não aceitou as oferendas? Será que as metas eram muito altas? Será que eram muitas metas? Onde foi que coloquei a lista mesmo?

 Bem… Acho que eu queria…

  1. Emagrecer – cadê meu amor próprio? Que padrão de beleza estou tentando imitar? Isso é saúde ou moda? Espelho, espelho meu… que olhos eu tenho para mim: olhos de afeto e cuidado ou de ódio e culpa?

  2. Comer saudável – socorro! cadê a nutricionista? O que tenho colocado dentro do meu corpo em forma de comida e bebida reflete o que sinto por mim: seria amor e respeito ou mais uma forma de abuso (auto abuso), ignorando os gritos do corpo por qualidade, sono e nutrição? Será que eu sei o que meu corpo deseja? Por acaso, eu paro para ouvir o que ele quer ou ataco o buffet de gordices no piloto automático?

  3. Praticar atividade física com regularidade – cadê a disciplina? Se não teve treinamento militar ou não aprendeu de criança, essa matéria pode ser um desafio dos bons. Porém, antes de me matricular no crossfit da moda, que tal escolher algo que me faça sentir bem de verdade. Pode ser dança, yoga, esporte ou caminhada. Pode ser uma atividade solo ou em grupo, ao ar livre ou local fechado. Melhor uma vez por semana feliz e bem feito do que 3 vezes só por obrigação. Com qual frequência o corpo quer se exercitar, já perguntou?

  4. Fazer aquele curso de fotografia, paisagismo, culinária, tarô, tênis… sei lá! Cadê o tempo? Como seria fazer algo por puro prazer desvinculado do trabalho ou dos “deveres”? Como tenho estabelecido as prioridades na minha vida? As coisas sérias vêm sempre em primeiro, segundo e terceiro lugar? A diversão não encontra espaço na agenda ou no bolso?

  5. Outros itens podem incluir novo emprego, casa, carro, namorado, etc etc etc…

Sejam quais forem os desejos dessa lista, o que importa é: eles brotam de uma pessoa em sintonia consigo mesma?

Na realidade, cada dia é um novo começo, é um presente e uma oportunidade de ser melhor e se cuidar melhor, de desenvolver as atividades que gostamos, de usufruir de uma vida plena e satisfatória em todos os sentidos.

Não acredito que o dia 1º de janeiro tem uma mágica especial só dele. Algumas culturas comemoram a passagem de ano em datas completamente diferentes. Para os chineses, por exemplo, será comemorado na véspera do meu aniversário: 5 de fevereiro de 2019 e eles calculam estar no ano 4714!

E aí: o que falta para você aceitar o presente de estar vivo e comemorar todos os dias? Aqui vai uma proposta de começar o dia com auto cuidado em sintonia com seu corpo e o universo. Apenas duas perguntas logo cedo:

Pergunte para seu corpo como ele se sente e o que ele deseja comer ou vestir.

Pergunte ao universo como HOJE pode ser o melhor dia da sua vida.

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