Longe é um lugar que não existe.

Hoje quero uma página em branco, sem marcas.

Preciso de uma página em branco.

Aquelas ideias mais antigas que ficaram pelo caminho dos dias, rabiscadas em poucas linhas – agora não. Terão de esperar mais um pouco. A elas, paciência.

Porque hoje, esse mês, esse ano e cada minuto nele tem sido de grande intensidade. Preocupação, ansiedade que também é medo. Seria apenas uma recusa em aceitar o óbvio: que o tempo (esse que não existe, dizem alguns) passa para todos e se as crianças estão crescendo é porque estamos ficando de cabelos brancos?

Mudanças…

Mudanças de prioridades.

Mudança de endereço.

Algumas provocadas por mim, outras executadas pelo maestro dessa sinfonia sem minha autorização. E quem sou eu para autorizar cada movimento dessa música? Sou apenas uma nota, um ré sustenido nesse mar de solfejos.

Daí voltamos ao beabá da aceitação – aceitar o que é considerado positivo, fácil fácil! Para isso não precisamos de gurus ou mestres ensinando amor e compaixão.

Aceitar o que machuca e deixa o rosto molhado, ai ai ai… Aí a música troca de ritmo, deixa um allegreto de lado e entra num movimento lento e pesado, onde o baixo com seus tons graves predomina e os violinos descansam.

Preciso de uma harpa, urgente!

Entrego, confio, aceito e agradeço. Hora de praticar.

Seguir o fluxo da vida. Acreditar que o bem maior está por trás das cortinas coordenando cada um de nós em perfeita harmonia de sons e cores.

Acreditar que a Vida é infinita e sempre em evolução, expansão, elevação.

Acreditar que somos todos destinados ao olimpo de amor como deuses e deusas da beleza, prosperidade e compaixão.

Acreditar que cada movimento dessa orquestra eleva os sentimentos e as vibrações.

Acreditar que o grande maestro rege com amor e sabedoria.

Acreditar que nada acontece se não for permitido.

Acreditar que tudo posso naquele que me fortalece porque quando preciso, a força vem.

Assistir o nascimento de um projeto, de um filho ou até mesmo de uma ideia é sublime.

Participar da evolução e crescimento de um amor, de um jardim, de uma criança é uma honra.

Colaborar com a vida quando ela se sustenta forte feito uma seringueira é de um prazer enorme.

Facilitar o processo da mudança de morada, acomodar as vontades e os limites, preservar a sanidade e o equilíbrio, ajudar sem atrapalhar, ajudar sem obstruir… desapego.

Resumo da ópera: desapego.

Certeza que tudo está no lugar certo na hora certa. E que “longe é um lugar que não existe”, como dizia meu querido Richard Bach em seu livro homônimo.

2 comentários em “Longe é um lugar que não existe.

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