Mudar a vista ou o ponto de vista?

A estória de não reclamar está rendendo… Todo dia um recomeço. Lógico que eu sabia que não ia ser fácil. Saber eu sabia mas tinha aquele palpite maroto lá no fundo de que, pra mim, não ia ser tão complicado assim porque, afinal de contas, sem admitir publicamente, eu me achava mais desperta que a maioria. Doce ilusão!

Presunção, orgulho, soberba… Qual o nome mesmo desse pecado capital que implica em nos acharmos mais ou melhores que os outros? Não importa. Importa o que ele esconde. Esconde as sombras de uma personalidade em mutação, esconde a comparação como base da existência. Atrás da vontade de ser melhor – aparentemente positiva – esconde a insatisfação com quem é, com o presente, com a vida.

Há alguns milênios atrás, fiz um teste de escrita no shopping. Eu devia ter uns 20 anos na época. Escrevi à mão uma frase escolhida dentre várias de uma lista. Papel inserido no computador, minutos depois a impressora serial (peça de museu) coloriu a página com pixels evidentes mostrando algumas características minhas. Que audácia: o que uma impressora pode saber sobre mim que eu não sei? Lembro-me com precisão cirúrgica de uma única frase: “Seu estado normal é de leve mas constante insatisfação.“ Por que a memória escolhe guardar essas coisas e esquece completamente de outras? Suspeito que as outras frases eram positivas…

Minha primeira reação foi de surpresa. No segundo seguinte, fiquei brava, ultrajada, não podia ser verdade. Na realidade, fui desmascarada por uma máquina antiquada barulhenta sem vida sem inteligência sem graça! Longe de mim, querer definir inteligência ou vida agora….

Aquilo me incomodou por um bom tempo, martelando a minha cabeça como torneira pingando na madrugada. Mas logo consegui empurrar para o arquivo morto da minha mente usando uma vassoura velha que não voava mais.

Por dentro, a sensação era uma mistura de combustão a frio – de não estar curtindo a vida adoidado como muitos faziam, de ser arrastada pela multidão como no carnaval de rua de Salvador, de nutrir sérias críticas ao meu corpo no auge da juventude, de não estar fazendo o que deveria, de ter um buraco negro no estômago… Se eu nem sabia o que me faltava, por onde procurar, o que procurar? Insatisfação de quê? Eta perguntinha incômoda…

Quando parece que se tem uma vida perfeita é proibido reclamar!

E quando a gente não está contente com a própria vida, procura “pelo em casca de ovo” como diz minha mãe, ou seja, fica buscando problemas onde não existem. Mas para que a busca não seja infrutífera, a gente consegue (o pior é que a gente consegue mesmo) criar os problemas para poder procurar por eles depois. Não é o fim da picada? Em vez de usar a capacidade criativa para melhorar as coisas que já parimos, na-na-nina-não! Geramos e estocamos problemas de forma a ter um fluxo contínuo de obstáculos na vida. A cada problema resolvido, uma sensação de alívio e tarefa cumprida. Quanto desperdício!

Mundinho às avessas. Por que esse vício no negativo? Por que focar no que incomoda ou não saiu como planejado? Por que um único evento desagradável no dia pode descolorir todo o resto e espalhar uma fumaça cinza malcheirosa por toda parte?

A boa notícia é que temos energia abundante e ilimitada. A energia está em toda parte.

A boa notícia é que, se conseguimos criar as porcarias que temos criado até o momento, podemos mudar o projeto e começar a gerar coisas saudáveis de verdade – para nós e para os outros.

A boa notícia é que a imaginação não tem limites.

A boa notícia é que, da mesma forma que podemos – como humanidade – nos autodestruir em cinco segundos, também podemos nos reconstruir em pouco tempo.

A boa notícia é que só depende de mim – de mais ninguém.

A boa notícia comprovada cientificamente (ver links abaixo) é que, quando nós mudamos, os que estão por perto são envolvidos pela mesma energia como um abraço de luz, multiplicando os efeitos. Nem precisamos de tantas pessoas assim para efetuar as mudanças e congregar outros para o mesmo objetivo. Um estudo realizado em várias cidades americanas comprovou que, quando 1% da população da cidade meditava sobre a paz, o índice de criminalidade caía 24%, sem nenhuma outra medida restritiva adicional. (http://vipassanamaste.blogspot.com.br/2010/08/resultados-de-um-experimento-cientifico.html) O mesmo estudo em Washington D.C., numa cena do excelente documentário “What the Bleep do We know?”: https://www.youtube.com/watch?v=ShsEcTT5ugs

Importante importantíssimo é manter o foco na paz e não na luta contra a violência. No acolhimento e educação e não na luta contra as drogas. Na saúde e não na luta contra  as doenças. Sempre que lutamos contra algo, estamos, na realidade, colocando mais lenha na fogueira, mais energia no tema, aumentando a visibilidade e o alcance daquilo que queremos eliminar. O resultado acaba sendo o contrário do que desejamos.

Um experimento cruel foi realizado com bebês órfãos em abrigo da Europa no pós guerra. Eles eram supridos em suas necessidades básicas de higiene e alimentação igual ao grupo de controle. Contudo, diferentemente do outro grupo, eram privados do contato amoroso dos cuidadores, sem olhares, carinho ou atenção. Com o tempo, eles passaram a recusar o alimento, enfraquecendo aos poucos. Pára, cancela tudo. Precisa chegar a esse ponto de crueldade para provar que o amor alimenta?

Uma das leis universais é a lei da Intenção e Desejo (ver Deepak Chopra, “As Sete Leis Espirituais do Sucesso”): quando queremos incrementar algo em nossa vida, colocamos mais atenção nisso. Se, pelo contrário, precisamos extirpar, deletar ou desintegrar algo no nosso cenário, retiramos a atenção, enfraquecendo o objeto.

Que tal fazer uma lista das coisas que precisa mudar? Ou melhor, duas listas: uma do que agrada e pode continuar na sua agenda emocional, mental, social, financeira. Nessa lista, investimos atenção, tempo e cuidados, ativando o bem-estar que ela proporciona e que nos fortalece. Aqui podem estar seu relacionamento atual, estudos ou trabalho e amigos, talvez não todos.

Depois, uma segunda lista contendo tudo o que incomoda, precisa fazer as malas e partir. Aqui também podem estar seu relacionamento, estudos ou trabalho, problemas de saúde, limitações físicas etc. Será que, nesse momento, é possível dar adeus às dificuldades ou elas estão entranhadas nas nossas vísceras? Será que elas me definem de alguma forma?

Uma pista interessante é prestar atenção às palavras que usamos. Por exemplo, se falo em “minhas dores”, “meus traumas” então eles são meus – podem ser congênitos ou posso tê-los adquirido em algum mercado de tragédias e tranqueiras pelo mundo afora e agora fazem parte da minha vida. Como posso deixar isso de lado? Que tipo de atenção eu recebo por apresentar essas limitações? Estou disposto a dispensar toda essa atenção? Como vou viver sem essa atenção, esses cuidados? O que vai ficar no lugar? Se as pessoas não tiverem mais de cuidar de mim, será que elas ainda vão querer me ver?

Por trás da suposta insegurança que sentimos ao ecoar essas perguntas, salta a necessidade de sentir-se amado por simplesmente ser quem é e não pelo que tem, faz ou proporciona às pessoas.

Isso me lembra uma das afirmações de cura mais potentes da querida Louise Hay, falecida em 30 de agosto: “Tudo o que acontece na vida é para meu bem. Eu sou amada. Eu sou o Amor.” A posologia desse santo remédio: repita várias vezes ao dia, de manhã, de tarde, de noite, escreva no espelho do banheiro onde possa ver todas as vezes que escovar os dentes, coloque bilhetes na casa, na geladeira, na agenda, onde quiser até sentir-se verdadeiramente amado em cada uma de suas células, na totalidade do seu ser.

Eu sou o Amor.
amor

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