Qual o preço da sua intuição?

As coisas de deus podem ser cobradas? E não seriam todas as coisas, coisas de deus? E não seriam todas as profissões uma mistura de técnica e intuição? Existe um certo preconceito em relação a serviços chamados espirituais – alguns podem ser cobrados, outros não…

Certa feita, fui a uma casa de terapias oferecer meus serviços. Havia salas disponíveis para alugar. Me recebeu uma pessoa conhecida do centro de umbanda ao qual eu tinha ido havia poucos dias. Ela atendia lá voluntariamente. Ela simplesmente não conseguia entender como alguém pode cobrar por um atendimento de reiki que ela supôs (embora nunca tivesse experimentado) ser um passe disfarçado – passes são oferecidos de graça em qualquer centro espírita. Como alguém poderia cobrar por isso?

Ninguém sabe tudo na vida e nem é obrigado a saber, mas a vida nos joga no colo as novidades que precisamos testar. Se tivermos um mínimo de humildade para ouvir e curiosidade para investigar, portas se abrem; caso contrário, continuamos dentro da mesma caixinha, cerceados pela segurança aparente.

Recentemente, tive essa conversa com uma amiga terapeuta massagista, reikiana, linda, espiritualizada que permite que seus guias lhe falem ao ouvido e traduzam as dores dos clientes de forma bem humorada e assim, ela consegue ajudar ainda mais as pessoas. Ela poderia simplesmente ativar o programa “Roteiro de Massagem X” desatando os nós com toques suaves sem dar ouvidos ao que sua sensibilidade sugere. Eu sinto muita diferença entre fazer massagem com alguém que se coloca como canal ou com um massoterapeuta que segue à risca o manual de instruções. Pessoalmente, eu prefiro o primeiro tipo – pés firmes na mãe terra e antenas sintonizadas no canal de amor divino.

Em qualquer situação em que há interação entre pessoas, ocorrem trocas: olhares, abraços, produtos e, principalmente, energia em várias formas. Dinheiro também é uma forma de energia. É sempre bom que haja equilíbrio nas trocas. Como meu pai sempre diz: “o combinado não é caro.”

Compramos produtos e serviços mas não compramos energia – o preço que se paga é pelo transporte. Da mesma forma que não pagamos pela água que bebemos mas sim pela purificação e condução até a nossa torneira, tampouco pagamos pela energia universal que aplicamos em terapias. O custo envolvido refere-se ao tempo dedicado, estrutura, conforto, música e outros mimos que podem auxiliar no tratamento.

Qualquer trabalho pode ser considerado seva (do sânscrito = serviço), quando colocamos a intenção de proporcionar o bem através dele. Qualquer trabalho – numa loja, banco, fábrica ou entidade assistencial. Remunerado ou não. O melhor dos mundos é quando encontramos o nosso dom, o ofertamos ao mundo e ainda conseguimos viver dele e pagar nossas contas.

Em atividades onde há forte interação entre as pessoas, a intuição pode ser tão valiosa quanto a técnica. Mesmo assim, é preciso estudar sempre para se aprimorar e ampliar a capacidade de percepção.  O que chamo de intuição seriam mensagens dos nossos guias, tenham eles o nome que quiserem – anjos da guarda, seres de luz, exus, gurus, eu superior… Às vezes, vem como sensação corporal – um frio na barriga tipo “ops, sinal de alerta piscando, perigo”. Outras vezes, como pensamentos insinuantes e estranhos que não deixam pistas da onde nasceram.

Todas as pessoas são dotadas de intuição, porém nem sempre se dá ouvidos a esses avisos que surgem aleatoriamente. É comum nos arrependermos de não obedecer” os sinais quando já é tarde para voltar atrás, de não ouvir aquela voz interior que mandava virar na outra rua ou atravessar um semáforo vermelho….

A boa notícia é que podemos aumentar nossa capacidade intuitiva com a prática. Quanto mais meditamos, mais nos abrimos a esse canal de comunicação com o divino que habita em nosso coração. Curiosamente a palavra intuição significa olhar dentro (do latim intuitione,  in = dentro e tuere = olhar para, guardar). No final, está mesmo tudo dentro de nós. Nós somos o universo e podemos acessar toda essa imensidão de conhecimento e beleza a qualquer tempo.

Existem outras definições de intuição. Na minha pesquisa, fiquei surpresa em descobrir a semelhança da minha com a visão de Alan Kardec: “a intuição seria um mecanismo de comunicação do Espírito humano para com o Homem ora encarnado e que, com base no conhecimento e experiência acumulado de outras vidas, e já tendo passado por situações similares no passado, envia mensagens por meio de pensamentos ou sinais no íntimo ou no corpo do indivíduo para que este tome decisões importantes que poderão alterar o curso de sua jornada, ou ainda, que poderão salvar-lhe de uma situação de risco. Em outras palavras, seria o Espírito do homem falando com ele mesmo (com o homem encarnado) e alertando-o sobre um dada situação, ajudando-lhe a tomar uma decisão que lhe fará alterar de forma significativa a trajetória de sua vida, e que esteja em acordo com o plano reencarnatório para esta existência.” (em O Livro dos Espíritos)

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