Todo mundo faz o melhor que pode.

Essa lição aprendi com a minha terapeuta-fada anos atrás, Simone Lucena. De alguma forma, foi um choque porque logo pensei nos sujeitos “malvados” e ela me explicou que somos todos algozes e vítimas. Mesmo as pessoas que estão se matando em disputas e guerras, roubando, se drogando.. elas também estão fazendo o melhor que podem dentro do seu nível de consciência. Ah essa tal consciência…

A cada dia, a cada escolha, o nosso mundo interior se alarga, a nossa consciência se eleva, ou infelizmente pode seguir o caminho oposto. Somos seres em constante mutação, novos e velhos a cada momento. As decisões que tomamos anos atrás, não seriam as mesmas se soubéssemos então o que sabemos hoje. Por isso, o auto-perdão é tão importante. Não adianta ficar se culpando por coisas que não deram certo ou terminaram mal. Nós fizemos o melhor que podíamos com a consciência que tínhamos na época. Pronto. Libera. Deixa ir. Desapega. Desapega de sofrer pelo que passou. Bola pra frente.

O importante é focar nas decisões de agora que moldam o amanhã. Não é à toa que tem um livro inteiro chamado “O Poder do Agora” de Eckhart Tolle (excelente leitura). De hoje em diante, que mudanças posso fazer para melhorar as questões que me limitam, que me afligem, que me impedem de ser feliz. Quais decisões preciso rever para ter a vida que mereço e ser pleno agora. Aqui cabe uma reflexão profunda para evitar a repetição de padrões negativos de pensamentos e comportamentos viciados.

Tem só uma pegadinha nessa estória: a decisão mais importante, da qual muitas vezes nem temos consciência, é interna e silenciosa – quais pensamentos vou nutrir na minha mente. Os pensamentos criam a realidade. Isso tem sido repetido à exaustão. De que forma podemos controlar esse macaco louco dentro da cabeça da gente que insiste em ficar obcecado por pensamentos negativos – “ah isso nunca vai dar certo; você não é bom o suficiente; o chefe nunca vai aprovar a verba do seu projeto; você é velho demais para mudar de área; acha que pode encontrar o amor da sua vida nessa idade? sem chance!” São tantas as chibatadas que aplicamos em nós mesmos! Quem precisa de um carrasco externo quando temos um de plantão 24h pronto para o massacre! Nós somos os responsáveis por nossos sucessos e fracassos.

Voltemos aos pensamentos… Quem comanda a sua mente? No budismo aprendi que a mente é o cavalo e nós somos o cavaleiro. Você vai deixar o cavalo seguir galopando por aí como bem entende ou vai tomar as rédeas da sua vida na mão e definir seu próprio destino? E quem em nós é esse cavaleiro? Muita gente pensa que é a própria mente. Mas não, a mente é o veículo a serviço do cavaleiro. Existe alguém observando por trás da mente, alguém que testemunha cada pensamento ou emoção, a sua consciência.

Se você se identifica exageradamente com seus pensamentos, fica refém deles para o bem ou para o mal. Por exemplo, se alguém te trai e você sente raiva, você pode se identificar tanto com a raiva de forma a querer se vingar e transformar isso num “projeto de vida”. Se você se sentir preso numa teia desse tipo, é preciso investigar a fundo: será que é para isso que você está no planeta, para se vingar? Que lições essa traição te trouxe? O que em você atraiu essa situação para a sua vida nesse momento? Pode ser que seja necessário ajuda terapêutica ou não, principalmente se as estórias se repetem com frequência, mas o caminho sempre leva para dentro, rumo ao auto-conhecimento.

Quem se identifica demais com os próprios pensamentos não consegue meditar. Também aprendi isso no budismo e, no princípio, achei muito estranho. Como pode haver alguém que não consiga meditar? A meditação coloca os pensamentos, sem julgamento, na categoria de nuvens no céu azul. O céu é sempre azul acima das nuvens. O céu é a sua natureza limpa, clara e serena. Mesmo quando há tempestade, o céu é azul. É infinitamente reconfortante saber que somos mais o céu do que as nuvens. Que a chuva passa. A angústia, a tristeza, a raiva passam. Enquanto isso, a nossa natureza básica permanece limpa e clara. Quando acessamos esse manancial de plenitude e os problemas surgem, podemos olhar para eles com calma e tranquilidade porque sabemos que eles também passam. Com calma e tranquilidade, temos mais ferramentas para trabalhar essas questões, temos mais acesso à sabedoria universal, ao divino em nós.

A chave desse céu não está nas mãos de São Pedro ou de qualquer guru mas sim nas mãos de cada um e só nós podemos abrir as portas do nosso céu – com a prática diária do auto-conhecimento.

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