Diário de um tempo estranho – 2

parte 2

Vida que segue, segui me aprofundando nos estudos das terapias. Novas técnicas e a percepção ampliando cada vez mais. Mais pessoas chegando a mim buscando justamente isso: equilibrio e harmonia. Transformações lindas de se ver.

Esse ano, como parte das minhas aventuras de aprendizado holístico, adotei um novo exercício de respiração a partir dos ensinamentos Wim Hof, um holandês conhecido como Iceman que bateu o recorde de permanência numa piscina de gelo por duas horas e escalou o Everest só de calção, sem camisa. Segundo ele, seu sistema imunológico reage a qualquer ameaça externa. Para provar isso, ele foi injetado com vários tipos de bactérias e saiu ileso. Seus alunos também. O treinamento dele consiste de três partes: respiração vigorosa com períodos de retensão de ar, exposição ao frio (banhos gelados ou nos Alpes) e meditação. O desafio de encarar o frio para quem sempre fugiu de água gelada e não aproveitava as cachoeiras da vida soava tentador. Desafio aceito!

Desde os meus 10 ou 12 anos, eu admirava muito meu irmão mais velho, Carlos. Ele tinha aquela cara de monge sábio, sério e misterioso – tinha cara de bravo também. Quando ele conheceu Lobsang Hampa e começou a treinar para levitar passando noites seguidas em claro, quase perdeu o ano na escola, todo mundo achava que ele era doido. Eu achava o máximo e ficava curiosíssima para entrar naquele quarto e ver o que estava acontecendo… Claro, foi ele que me mandou os videos do Iceman. (Minha irmã e meu irmão mais novo também são reikianos, curadores quânticos e apometras. Só o caçula ainda resiste a entrar nesse mundo infinito de curas.)

Qual foi o resultado desse treino? Sim, eu consegui encarar os banhos frios! Todos os dias. Preciso esclarecer aqui que não era inverno, ou seja, isso ajudou um pouco. Fiquei super contente comigo mesma. Essa era a parte difícil do treinamento.

Só que nem tudo é festa no reino dos desafios esotéricos. A minha fisiologia reclamou. Tive uns episódios de pressão alta, assustei. Parei. Pensei, hummm… O que será? Levou um tempo para eu acessar as causas.

Pratico yoga há uns 20 anos e aprendi que pessoas com hipertensão não devem fazer pranayamas com retensão de ar. Pela medicina chinesa, a recomendação para mim são coisas quentes: sol, comidas, bebidas, água para beber e banhar. O frio é vasoconstritor portanto… Juntando 1 + 1 = SOS! Pára tudo! Fica só com a meditação, yoga, musculação e RESPIRA, criatura!

SOS no alarme = voltei ao cardiologista, Dr. Paulo Campos. Medicina ocidental.

Intensifiquei as visitas do meu chinês, também Dr. Paulo Vu. Medicina oriental.

Dois Paulos cuidando de mim. Grande benção ter a possibilidade de usar o melhor das duas linhas. De um lado, mais exames, estresse, agulhas longas e salas geladas com cheiro forte de anestésico. De outro, cuidados com a alimentação, agulhas finas, meditação, água alcalina, calor. Uma dança yin yang.

E por dentro, como eu estava? Nessa mesma dança, ora contente calma yin, ora desconfiada nervosa yang – em contagem regressiva. Com uma sensação desagradável de haver algo errado, muito errado dentro de mim que seria descoberto a qualquer instante numa surpresa macabra como um jack-in-the-box que salta para fora da caixa de repente.

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