Amar, verbo intransitivo

Abstract artwork with flowing blue waves and an orange sun-like shape

Sonhos que sonhamos acordados tem mais ou menos intensidade? Quais sonhos a Vida escolhe realizar? Quando eu era menina, eu achava “chique” falar inglês e tinha um sonho de poder dizer “I love you” para alguém com sentimento, verdade, não apenas cantando numa música qualquer. Sonho realizado. Aos 16 anos, fazendo intercâmbio em Brighton (UK), namorei um rapaz suíço. Não falo alemão e ele tampouco falava português. Feito, sonho realizado.

Depois do primeiro divórcio, fiz um detalhamento bem específico do que eu desejava como companheiro, resultado de um movimento interno bem fluido e intuitivo. Já escrevi a respeito aqui. Muitos detalhes. Todos alinhados com a fase que eu vivia… Sonho realizado: família, filhas, pacote completo.

Depois do segundo divórcio, refiz essa encomenda, agora tenho outras vontades. Porém eu não esperava que, numa tarde ensolarada de domingo, num show de rock no meio da rua, eu fosse viver um sonho que eu nem sabia que tinha.

Ele chegou, olhou para mim, não falou nada. Apenas pegou as minhas mãos, entrelaçou os dedos de uma maneira absurdamente gentil e forte e o tempo parou. Eternidade pausada. Ele me beijou. Longamente. Suave e forte. Antes disso, apenas havíamos conversado por telefone. Não era preciso falar qualquer coisa. Apenas sentir. Ficamos bem pouco tempo juntos pois minha agenda estava lotada. uma primeira impressão simplesmente indelével, única.

Depois desse primeiro impacto, começamos a nos conhecer e me dei conta que estava diante de um ser sem filtro e sem freios, com uma espontaneidade que desafiava a rigidez instalada aqui dentro, a desconfiança e a dor acumuladas. Deu-se início a uma série de novos desafios e delícias.

Do lado das delícias, nada melhor nem mais intenso havia explorado meus caminhos de poucas curvas e muitas cicatrizes nesses 59 anos de estrada. A liberdade de estar junto aproveitada ao máximo, contraposta a muitas interferências vindas da fase anterior. Como diz minha amiga advogada: todo mundo já vem com um ‘kit’ depois de certa idade: “filhos de outros relacionamentos, ex-cônjuge, dívidas, projetos inacabados….” Um casamento prévio sem papel e sem divórcio aparentemente resolvido, porém em modo ativado 24 horas por dia. Padrão de não encerrar ciclos, não fechar portas, manter o controle… um cheiro de cinzeiro amanhecido começou a infectar o ambiente.

Namorar é tempo para se conhecer. Sempre haverá as questões fáceis, negociáveis que podem ser ajustadas. Assim como aquelas que não tem meio termo – ou gosta ou não gosta, pode ou não pode. Se essas esbarram em valores inegociáveis, a vida fica complicada.

O que não se pode deixar passar é a oportunidade de se aprofundar no autoconhecimento quando se tem um relacionamento desafiador – entender cada vez melhor as minhas necessidades, nível de tolerância, as pausas, os limites.

E assim segue a vida, entre encontros e desencontros.

Publicado por Denise Fracaro

Sou uma pessoa que não cansa de estudar, em busca constante de autoconhecimento, com imenso prazer em compartilhar seus achados para o benefício de todos os seres. Além de blogar, trabalho aromaterapia, terapias energéticas usando diversas técnicas e dou cursos e workshops.

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