A trilha sonora tocando no fundo do meu coração na voz deliciosa de Michael Jackson. Nem tudo na vida são flores, alegria, prazeres.
Certos dias pintam de cinza o meu peito e me dou conta de um buraco enorme no coração ansiando apenas por colo e aconchego, por uma sensação de segurança (irreal, eu sei), de saber que alguém olha por mim e me ampara – além de meus amigos espirituais.
Nesses dias, sinto todo um cansaço acumulado de ser forte por muito tempo.
Seguirei sendo, não estou deixando o posto.
Um cansaço de buscar a perfeição, encobrir defeitos incompatíveis com um ideal projetado, cobrir todas as possibilidades, evitar erros e desvios, ser vista, ser ouvida, ser aceita.
Cansaço por ter o controle remoto de inúmeras atividades na mão (de novo, quanta ilusão, quem tem controle de quê?). Esse modo desperate control se instala no sistema para novamente tentar evitar perigos, conflitos, manter as coisas no plano.
Cansaço de estar presente e atenta aos próximos e aos distantes sem ter um contraponto nessa gangorra para relaxar enquanto alguém (quem?) assumiria o posto de vigilante por mim.
Amo tudo isso. Amo servir. Seguirei servindo.
Nesses dias, preciso só de colo, abraço demorado, conforto, silêncio.
Apenas descansar e relaxar. Confiar que está tudo bem. Pausar.
Não preciso que ninguém venha resolver meus problemas, nem pagar minhas contas.
Desejo apenas sentir interesse genuíno por minha vida, uma certa curiosidade e respeito por minhas esquisitices, carinho, afeto, gentileza. Interesse em participar também desses momentos nem sempre coloridos e festivos.
“O que houve, posso ajudar?” Como seria bom ouvir isso de vez em quando… Será que me coloquei nesse pedestal de auto suficiência por tanto tempo impedindo as pessoas de notar minhas dores? Bem possível, ou melhor, bem provável.
A vida me presenteou com amigas lindas com as quais posso contar. Eu sempre disse que ‘prefiro ser a pessoa que oferece ajuda do que a que pede’ e me coloco à disposição com frequência. Pedir ajuda está sendo um aprendizado bem intenso para mim. Uma lição de casa terapêutica à qual estou dando prioridade.
Tarefa dada, tarefa cumprida. Porém, me colocar nesse lugar de vulnerabilidade uma única vez não resolve toda uma vida de contenção. É apenas o começo. Eu diria que foi um começo maravilhoso, dois encontros com duas amigas queridas me permitiram abrir as comportas sem qualquer julgamento. O primeiro com café e croissant. O segundo com música e dança.

Minha única certeza nesse momento é que mais água salgada escorrerá pelo meu rosto.
Equilíbrio, reciprocidade. Seria um sonho alucinante?
