Há 57 anos atrás, numa terça-feira de carnaval, numa cidade quente feito inferno na terra, eu resolvi vir ao mundo acabando com o baile de meus pais. Na realidade, eles estavam exaustos de me esperar, pensavam me receber de presente de natal! Perdi essa, mas o carnaval não deixei passar… Naquela época, raros eram os exames de pré-natal então, se a menstruação falhou, era gravidez na certa.
Minha mãe passou mal por 11 meses, vomitando todo tipo de comida – menos ovo. Fui expulsa do paraíso quentinho e seguro para um mundo de desafios e alegrias, junto com um casal de irmãos mais velhos e logo vieram mais dois meninos. Apesar da alimentação limitada da minha mãe, nasci sem pescoço de tão gorda! Foram 12 mil ovos e, nem assim, meu pai entrou para o ramo de granjas!
Entrando agora num ano de energia 7 (6+2+2+0+2+4=16=7), ano de auto conhecimento, de exploração do mundo interior, avançando num processo de interiorização, aceitação, transformação que venho cozinhando em fogo lento há décadas. Longo processo, sem fim e sem começo definido. Longo processo cheio de altos e baixos.
A essência é a mesma, porém muita coisa mudou e ainda muda por aqui. Aonde isso vai dar? Nem ideia! Quem me conheceu de tailleur e salto alto, estressada até o último fio de cabelo, com coleção de relógios e dermatites, vivendo à base de analgésico – raros eram os dias sem dor de cabeça – não sabe para onde foi aquela executiva. Cadê ela?
Ela se foi sem olhar para trás.
Ela se foi para maternar os melhores presentes que a vida pode trazer.
Ela se foi para parir uma pessoa que trabalha descalça, saia florida, maço de ervas numa mão, cristal na outra, lambuzada de óleo essencial, com o coração cheio de desejos de luz, mente aberta e olhos fechados!
Ela se foi e deu lugar a uma pessoa insaciável sobre técnicas de cura, sobre a energia que nos une e integra, sobre a Vida em todas as dimensões e possibilidades. Essa pessoa já se viu baleia, se sentiu cristal, abriu as asas pelos céus e ainda quer mais!
Quando eu poderia todos imaginar os espaços que iria visitar nessa vida, os seres que iria encontrar… Sem chance.
Apesar de passar uma boa parte da vida sem nenhuma vontade de comemorar meu aniversário – já falei disso aqui – opa, isso também mudou! Como? Terapia!!!! Encontrei um trauma de uma perda incomensurável. Me liberei de um fardo ancestral que não era meu. Isso para simplificar pois foram muitas as oportunidades de pesquisar, reavaliar e ressignificar.
Há pessoas orgulhosas por se manterem sempre do mesmo jeito. É uma escolha, um desejo. Do meu interessante ponto de vista, um desejo irreal dado que a vida balança o nosso barco em várias tempestades e, permanecer no mesmo lugar, do mesmo jeito demanda força demais. Cada um escolhe onde aplicar sua energia e seus talentos. Quem sou eu para dizer a alguém o que fazer? Melhor concentrar as escolhas no que eu posso fazer.
Agora vou indo que tenho mais presentes para abrir. Minhas pérolas me chamam. Fui.
