Algo deseja escapar do peito… ainda não tenho clareza do que seja. Seria incorreto afirmar que esses tempos estão sendo intensos com tantas transformações internas e externas, pois me parece que tempos intensos vivo eu desde que saí das fraldas….
Algo deseja escorrer para fora de mim além das lágrimas – essas emoções líquidas coitadas só conseguem vazar em raras ocasiões, pois cadê o tempo de parar e deixar fluir a cachoeira de sentimentos… Cadê a pausa para nada fazer… Cadê a parada na estação do ser… Com tantos compromissos e burocracias – aliás, as burocracias: uma espécie hermafrodita que dá cria até no seco, na pedra, no vento, no vazio pois todo dia surgem novas demandas necessárias e urgentes, devoradoras de tempo e energia.
Algo aqui dentro deseja escapulir e dar voltas no mercado dos relacionamentos, espiar as vitrines de possibilidades, experimentar novos sabores e fornadas quentinhas de delícias embaladas em carinho suave e juvenil.
Algo deseja descansar nas nuvens e deixar chover cores de doces lembranças inocentes.
Algo cá dentro deseja relaxar no colo da vida, na ilusão da segurança, na mentira da solidez, na estrutura firme da tempestade livre e etérea e elétrica.
