Há muito, muito, muito tempo tempo atrás… No reino da fantasia da minha mente romântica, eu sonhei com um ‘felizes para sempre’ onde esse sempre, entenda, não era por toda a eternidade, era para essa vida apenas. Por favor, nada de jurar, prometer, contratar, selar, determinar, decretar qualquer coisa por toda a eternidade pois pretendo manter a liberdade de mudar de ideia. A vida, esta sim é para sempre. Para mim, os laços que fazemos dentro de cada existência tem prazo de validade: desde que seja contribuição para mim e para você, seguimos juntos. Assim que um deixar de ser contribuição para o outro, o vínculo precisa ser revisto. Como dizia o poeta: “Que seja eterno enquanto dure.”
A vida traz vários convites e a gente avalia se aceita ou não. Em dezembro de 2012, eu aceitei o convite do reiki. Esse curso tão simples, uma porta aparentemente pequena abriu uma montanha de possibilidades na minha vida e, a partir daí, muita coisa começou a mudar em mim. Será que eu fiquei diferente ou apenas encontrei o meu caminho e me permiti ser quem sou? Peguei o rumo e o gosto por estudar energia e técnicas de transformação, entender que a matéria não é sólida como parece ser, que existem outras formas de ver a realidade e mais: que existem outras realidades acontecendo.. É muita coisa, é um mundo verdadeiramente infinito!
Enquanto isso… lá do outro lado da cama… um mundo prático, racional e resistente permanece prático, racional e resistente. Como esperar algo diferente? Dentro das muralhas das suas certezas, tá tudo certo. Cada um escolhe os convites que deseja aceitar. E eu, dentro do meu sonho cor de rosa – casa arrumada, mesa posta, comida quentinha, bem ao estilo tradicional – dolorida de viver o distanciamento, a falta de comunicação, a não aceitação de mim – um ser animadíssimo explorando possibilidades. Admito que sou um desafio e tanto. Passamos a falar línguas diferentes, a ter conceitos diferentes sobre como levar a vida…
Ôooo vida leva eu…
Na minha intenção de manter o time em campo, fui ajustando, reformando, polindo… Colocando flores, decorações, enfeites, mimos. Alocar tempo enfeitando as paredes de uma casa rachada de nada adianta. Algumas vezes, é preciso derrubar tudo e refazer a fundação do zero.
Só de pensar já dá um cansaço, uma preguiça…
A mesma vida convida a pausas e descanso. Nessas pausas, tudo corre bem e parece não existir qualquer divergência. E a gente se apega a esses momentos como a um colete salva-vidas. Dá uma respirada e segue. Assim passa o tempo.
Um belo dia de chuva e de calor, com Urano palpitando no coração, a clareza nos acerta como um raio anunciando a tempestade iminente: um susto! Como se não estivesse vivendo a própria vida… Oi, quem estava ali o tempo todo então? Um preposto inepto e cego? Nada disso, apenas uma pessoa sobrevivendo a seus traumas, agarrada a boletos vencidos como atestado de felicidade. Passou o tempo de reformar essa casa e fazer vista grossa às rachaduras.
As formas mudam de forma conforme a frequência sem deixar de ser a essência que são. Tudo é vibração. Eu também Sou. Tudo é forma, tudo é energia, tudo É. Eu Sou.
Palavras bem-ditas, palavras mal-ditas. Danos colaterais. Todos entrelaçados – um ponto se movimenta e afeta tudo à sua volta, as ondas se expandem, a notícia se espalha. E cada um terá de buscar um novo ponto de equilibro, o qual, nessa realidade, demanda tempo. Esse tempo abriga o sofrimento, as possibilidades, as novas estruturas, a alegria, a saudade, as lágrimas.
