Diário de um tempo estranho 11

As férias foram feitas para descanso e diversão. É uma delicia circular por São Paulo em janeiro, o trânsito flui com facilidade e tudo fica perto. Nesse ritmo leve, comecei o ano e esse texto, sem pensar muito em médicos e exames, agulhas e laboratórios, programada apenas para alguns retornos. Pena que essa leveza não durou muito.

Em dezembro, por indicação do médico do meu coração, Dr. Paulo Campos, fui parar no consultório da Dra. Erika Amarante. Sobrenome simpático me lembra ‘amaranto’, um cereal incrível de muitos benefícios: antioxidante, fonte de cálcio e proteínas, fortalece as células do sistema imunológico e combate câncer ao reduzir o fluxo sanguíneo dos tumores. Interessante…

Mulher bonita, quase da minha idade, sem nunca ter me visto antes, teve uma sacada engraçada. Depois de analisar a montanha de exames dos últimos anos, ela diz assim: “Se você pretende virar guru e sumir nas montanhas por muito tempo, eu te recomendo fazer iodo-terapia logo. Se você fica por aqui e eu posso te acompanhar regularmente, não há urgência nenhuma pois o resultado da sua biópsia foi o melhor possível.”

Pensa numa pessoa respirando aliviada! Aliás, duas pessoas: euzinha e meu marido alí ao lado afundado na cadeira. Bem diferente do médico anterior. Ela me examinou como se fazia antigamente: verificou a circulação, gânglios, mediu peso, altura, cintura, verificou vacinas… Além de responder todas as perguntas do meu marido várias vezes.

No inicio de janeiro, fiz um retorno no ortomolecular Dr. Kater (além dessa, tem outras especialidades: ginecologia, antroposofia, MTC e homeopatia). Ele concorda com a postura e orientação da Dra. Erika e também me tranquilizou.

Ontem, fui ao terceiro retorno com o cirurgião Dr. Flávio para ver a cicatriz e apurar a opinião dele – essa eu considero ser a mais importante no meu caso, afinal de contas, ele é a única pessoa que deu bom dia para minha tireoide dia 26 de outubro passado antes de descartá-la definitivamente numa nuvem de nitrogênio. Confesso que cheguei bem nervosa ao consultório, com batimento cardíaco visivelmente alterado.

De acordo com a experiência dele, o risco depende da biópsia e dos anticorpos. Como meus anticorpos são muito altos, meu risco fica entre baixo e intermediário. Risco baixo = nada de iodo. Risco médio = talvez, quem sabe, depende… Risco alto = iodo sempre!

de novo, ficou tudo escuro de novo na minha mente…

Se a pessoa aqui seguir a recomendação da Dra. Kátia e se recusar ao procedimento, ele recomenda fazer pelo menos a pesquisa de corpo inteiro para assegurar que não haja metástase em qualquer outra parte do corpo. Mais um palavrão na minha vida: metástase. Até dói para digitar. Tanto a terapia de iodo como esse exame só podem ser feitos depois de uma dieta especial sem iodo por umas três semanas. Cuidar da saúde deixou de ser simples.

Andei pesquisando hoje sobre esse assunto. Gostei não… Para quem já se submeteu a inúmeras dietas no passado, mais uma menos uma… grande coisa!

Fiquei mal… Esses desafios me colocam numa montanha russa de emoções. Eu que fujo completamente desses brinquedos. Eu que busco estar equilibrada e zen a maior parte do tempo. Eu que sou tão boa em confortar as pessoas quando algo errado, pesado, complicado acontece.

O que fazer?

Evidentemente, farei o que for necessário para manter a minha saúde e qualidade vida. Não tenho perfil de suicida. Amo a vida! Sou grata por todas as pessoas que compartilham alguns instantes comigo ou os que me brindam com meses ou anos de convivência: família (principalmente minhas três pérolas), amigos, clientes queridos, conhecidos e desconhecidos. Sou grata por todos os eventos, trabalhos, oportunidades, desafios e milagres que vivenciei durante esses quase 53 anos.

Enquanto isso, aceito a radiação do sol, dos celulares, do raio X, das antenas de tudo quanto é aparelho, coisas básicas, inevitáveis ou esporádicas.

Minha vida não será definida por estatísticas. Não é uma questão de calcular probabilidades ou apostar quem acerta o placar. Em geral, a maioria erra feio. O fato de muitas pessoas acreditarem em algo não o torna verdadeiro. Pode ser apenas a ‘norma’ – norma que vem da ‘normalidade’ que vem da ‘curva normal’ que simplesmente reflete um padrão estatístico e nada mais onde se esquece que cada ponto dentro dessa curva é um universo único e particular.

Enquanto isso, no reino da reposição hormonal, minha temperatura corporal vai subindo acelerada. Somando isso aos calores menopáusicos, estou experimentando o que é suar de verdade sem exercício pela primeira vez na vida. Desde que o sol carioca começou a morar dentro de mim, há cerca de dois anos, passei por várias fases com diferentes “remédios”: a MTC me recomendou chá de amoreira e foi uma maravilha por um tempo. Daí parei de tomar. Depois, a ginecologista me passou um gel de progesterona: água com açúcar teria tido mais efeito. Os óleos essenciais tem sido excelentes para algumas clientes minhas. Experimentei vários com diferentes efeitos, sem grandes mudanças. Nesse momento, a homeopatia da Heel está sendo uma boa opção. 

Estou imaginando que esse avanço da massa de ar quente interno tenha relação com o aumento da dosagem de hormônio. Quem sabe… Esse sistema intrincado e complexo chamado corpo humano é muito visado no mundão intergaláctico e uma das razões disso é justamente o sistema endócrino, delicado e preciso, poderoso, comandando todos os outros sistemas numa sinfonia de movimentos muito variados.

E agora começa mais um tempo de análise interna, processamento de emoções conflitantes, planejamento, conexão… mais revelações e curas a caminho. Sombra, seja bem vinda!

2 comentários em “Diário de um tempo estranho 11

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