Diário de um tempo estranho 8

Um mês exato após o término da novena, dei entrada no hospital Oswaldo Cruz. De uma lista de 7 médicos que me foram recomendados, fiz uma seleção à minha moda – pela energia deles – depois coloquei os dois primeiros à prova do baralho da querida Fernanda Arjona. Marquei com o primeiro da lista, Dr. Flávio Hojaiji. Fui, gostei, acertamos a agenda e pronto!

Cheguei ao hospital sexta à noite toda zen, pressão 10/6, devia ter tomado champagne para comemorar essa medida! Tudo certo para o procedimento às 6:30h do sábado. Nos colocaram num quarto enorme, com antessala, closet e espaço suficiente para dar uma festa para 30 pessoas!

Acordei antes da enfermeira chegar, tomei banho e fiquei esperando…. uma eternidade de sessenta minutos até o anestesista aparecer.

Só que…

Ao acordar, fiz uma coisa proibida: tomei um gole de água. Eu tinha sido avisada disso pelo médico e deletei completamente!!! Como pode? Sou super certinha com lição de casa, aquela boa moça que anota tudo e segue as instruções à risca. Como fui fazer isso?

Quando o anestesista chegou e viu a minha garrafa de água kangen chique de morrer, a cara dele… eu não sei se era pânico ou desolação ou se ele queria simplesmente me matar mesmo. Acho que era a última alternativa.

Sabe aquelas horas em que o tempo para! Ele saiu, branco como o avental que usava, para ligar para o cirurgião. Em seguida, volta ao quarto escoltado pela enfermeira. O médico me liga. O que eu poderia dizer além de: “pisei na bola feio e nem sei o porquê, sorry“. Já estava feito.

Ficou aquele suspense se seria em outro dia, volta ou não volta para casa, desfaz tudo… Tocou ao Flávio reagendar toda a equipe. Acabou ficando remarcado para as 10h no mesmo dia.

Toda a família em modo pausa, acompanhando à distância, dando suporte energético e espiritual. Meu irmão e cunhada saíram de Alphaville de madrugada para fazer companhia ao meu marido. Gratidão imensa.

Nesse tempo extra de espera, os três desceram para o café da manhã. Eu sentei, escrevi, meditei, esperei. Em meio a um mar de perguntas, havia um sentimento de gratidão no fundo…

O que está certo sobre isso que eu não percebi?

Tudo tem uma razão de ser, qual a razão dessa mancada, eu não acessei ainda, talvez nunca saiba. Dei entrada às 9h12 no centro cirúrgico. Parecia filme: tantos equipamentos, pessoas de touca verde andando de um lado a outro, lavando as mãos na técnica, aparelhos bipando diferentes medições. Colocaram uma música que gosto muito, mas não consigo lembrar agora qual era.

Acabada a cirurgia, o anestesista começa a me chamar de volta e, nesse momento, só me veio a sensação de “vitória” – não como uma voz na minha mente, apenas uma energia, um lugar da onde eu não queria sair – e pensei “me deixa aqui que tá bom demais, acordar para quê?”

Gratidão a todos os amigos próximos e distantes que enviaram energia e oraram por mim e por toda a família na retaguarda. Um verdadeiro exército de luz!!! Abençoada por ter essa família iluminada.

Agora em casa, evitando falar para descansar a garganta, entro nesse compasso de por a leitura em dia, escrever e me permitir ser cuidada – novidade para mim.

6 comentários em “Diário de um tempo estranho 8

  1. Com certeza o anestesista “queria resolver… de outro jeito …” rs
    E o universo conspirou a favor daquele gole d’agua …
    Gosto muito da sua forma de escrever, relatar … poderiam ser contos ou crônicas …
    Excelente recuperação 🙏🏻😊👍🏻

    Curtido por 1 pessoa

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