Aterrar X Enterrar

Tenho percebido ultimamente em muitas pessoas que vem para terapia uma questão recorrente: falta de conexão com a Terra. Isso se mostra de várias maneiras: um ou os dois pés não tocam o chão, ou tocam apenas em poucos pontos, ou os pés estão torcidos como garras, ou o peso do corpo não se distribui por toda a planta, ou o peso não se distribui igualmente entre os dois pés….

Isso tudo são formas que a energia se apresenta, não como os pés físicos realmente são. Em alguns casos, a pessoa não sente nada. Em outros, há dor e questões ortopédicas que reafirmam a percepção energética.

Sem pretensão de supor que os meus clientes representem uma amostra estatisticamente significativa da população. Meu interesse não é desenvolver uma pesquisa científica nessa área. Meus “achados” são fruto da observação na minha prática, limitada a quem me procura.

Por que acontece isso? Por que não nos apoiamos confortavelmente nos dois pés e adotamos posturas prejudiciais? Por que temos receio de sujar os pés na terra, medo de insetos e picadas, medo da lama e das surpresas que podem vir desse mundo escuro e desconhecido de nós habitantes das florestas de concreto?

Longe da natureza estamos.

Segundo informação do Museu Nacional do Calçado (RS), os sapatos foram uma invenção de nobres da Mesopotâmia e do Egito cerca de 5 mil anos antes de Cristo. Objeto de luxo, sim senhor, já que poucos podiam ter suas sandálias confeccionadas sob medida para proteger seus delicados pés. Acessório muito importante para as pessoas da época que viajavam a pé em terrenos pedregosos.

Hoje em dia, tem gente que não tira os sapatos nem dentro de casa. Aprecio o hábito japonês de retirar essas peças antes de passar pela porta, deixando os miasmas do ambiente externo do lado de fora, protegendo a energia do seu refúgio.

Energeticamente, estar desconectado da terra é uma condição bastante prejudicial. É o chacra básico gritando por socorro!!! O uso de calçados sintéticos por longos períodos compromete esse fluxo. A energia que recebemos amorosamente da Terra fica bloqueada e com isso todo o corpo sofre. As pernas e o caminhar pela vida.

O sustento material vem da Terra. Tudo o que comemos, produzimos, criamos e vendemos vem da Terra a partir da transformação de seus frutos e presentes.

Quer ter prosperidade? Aterra! Cuide de seus pés. Cuide de suas raízes. Aceite as suas raízes – familiares e ancestrais.

Quer ter saúde? Alegria? Desbloqueia esse fluxo de energia que ascende pela sua coluna. Conecta com a abundância. Tudo se transforma na natureza. Nós também nos transformamos e podemos mudar essas condições aparentemente cristalizadas.

Outra parcela dos meus queridos clientes acredita (ou teme) que ‘aterrar” signifique “enterrar” no sentido de que então ficariam presas e não poderiam “voar” para os mundos mais elevados, sutis. Até mesmo para conseguir profundidade na meditação e no trabalho de projeção espiritual é necessário estar bem aterrado, bem sintonizado com a Terra como ser vivo, como um canal de luz.

Sugiro uma prática simples que qualquer pessoa pode fazer, em qualquer lugar.

Exercício para ativar a conexão com a Terra

Fique em pé com as pernas relaxadas, um pouco afastadas, sem hiper estender os joelhos. Sem sapatos, por favor. Olhos fechados. Se puder estar na grama, no jardim, no parque, melhor. Foque a sua atenção nos seus pés. Sinta a terra te dando apoio e sustentação, como um abraço de mãe.

Dê um comando mental permitindo que a energia dela flua por todo o seu corpo subindo pelas pernas até sair pelo topo da sua cabeça. Essa energia flui continuamente. Sinta os efeitos no corpo e também no campo emocional e mental. Veja onde há bloqueios. Deixe que eles sejam dissolvidos. Sinta a força que te atravessa e nutre.

Em seguida, deixe ela drenar de você tudo o que não te serve mais, o que você tem em excesso, todas as suas preocupações, medos e tristezas. Esvazie-se dos pesos. Quando se sentir mais leve, oferte seus talentos e suas habilidades, suas cores e seus prazeres e, finalmente, sua gratidão.

Energia vai, energia vem – expande e contrai – num ciclo eterno. Seja parte dela. Seja fluidez, leveza, gentileza.

Gostou da prática? Sem risco de overdose, pode repetir quantas vezes quiser. Pode-se também fazer em postura de meditação ou sentado mesmo numa cadeira. Importante manter a coluna reta. Se aparecerem dores que não existiam antes, sua consciência está se ampliando, seu corpo quer falar com você! Se precisar de ajuda, ME CHAME!

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